segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O suicídio midiático

Cidadania


Anda rolando de novo por aí uma pregação recorrente de Globos, Folhas, Vejas, Estadões e filiais, de que o governo Lula estaria dando continuidade ao neoliberalismo da era FHC, o que é falso como uma nota de 3 diante da pregação petista de Estado forte e de medidas que o governo Lula tomou para combater a crise financeira internacional.

No auge da crise, se Lula tivesse seguido o receituário então preconizado pelo governador José Serra através de seus jornais, revistas, tevês, rádios e portais de internet, teríamos nos estrepado.

Como se sabe, quando certos blogueiros e jornais, entre outros, publicam posts e editoriais, sabe-se que quem está escrevendo – ou ditando os termos do escrito – é o governador de São Paulo.

Vou lhes dar um exemplo do que digo, de como teríamos nos estrepado se Lula fosse realmente neoliberal e não tivesse tornado o Estado forte para atuar contra a crise, rejeitando as exigências desses jornalões paulistas e cariocas, entre outros, que pregam o neoliberalíssimo “Estado mínimo”.

Todos se lembram de como a mídia e a oposição tucano-pefelê foram contra Lula ter usado os bancos públicos – com destaque para o Banco do Brasil – para suprir a falta de crédito que se instalou no Brasil e no mundo entre setembro do ano passado e, para o Brasil, meados deste ano.

É pelo que vocês lerão a seguir, apesar da monumental campanha difamatória da mídia contra Lula e o PT empreendida entre aquele ano e o anterior, que, em 2006, o presidente se elegeu com votação esmagadora, o que provou que os brasileiros não acreditam mais na mídia.

Os textos reproduzidos abaixo mostram como a mídia se suicida com requintes de crueldade. Divirtam-se.


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FOLHA DE SÃO PAULO, 10 de abril de 2009

Editoriais

BB do PT

Governo Lula evita reformasespinhosas e embarca no espalhafato e no aparelhamento da direção de banco público


O PRESIDENTE Luiz Inácio Lula da Silva diz que a redução do "spread" bancário -a margem entre o custo de captar o dinheiro e a taxa cobrada ao cliente no empréstimo- se tornou "obsessão" pessoal. A ministra Dilma Rousseff também avisou que o governo "não aguenta mais" pedir a redução dos juros.

A preocupação com o destino econômico do país era tamanha nas altas esferas da administração federal que a solução encontrada não poderia ser outra: aparelhar ainda mais o Banco do Brasil. O PT foi convocado para mais uma missão patriótica...

A nova anedota palaciana, disseminada na praça para tentar justificar a troca de comando no BB, não combina com alguns fatos. No período de impacto da turbulência global, o Banco do Brasil foi a instituição que mais reduziu as taxas de juros nos empréstimos pessoais. A taxa mensal, que era de 5,99% em agosto -no pré-crise, portanto-, foi 23% menor no mês passado.

O conjunto de bancos federais seguiu a linha do obcecado presidente da República e liderou, no período, a redução nas taxas de juros e o aumento na concessão de crédito. Esta expansão, aliás, elevou a participação dos bancos públicos no total dos empréstimos concedidos e evitou um tombo no crédito nacional.

O problema é que a teoria da "indução" -segundo a qual os bancos privados, temerosos de perder fatias do mercado, logo iriam aderir à expansão do crédito empreendida pelos públicos- ainda não funcionou. Não funcionou, pelo menos, do modo como seus propagandistas oficiais alardeavam: pois é razoável cogitar que a reação dos bancos privados à crise teria sido mais violenta, no sentido de restringir empréstimos e elevar taxas, não fosse a ação "contracíclica" das instituições públicas.

Seja como for, aumentar a tutela do governo e do PT sobre a direção do Banco do Brasil não vai resolver esse problema -resolverá outros, decerto, atinentes às eleições que se aproximam. Há limites para a ação antirrecessiva dos bancos públicos, e o principal é a responsabilidade fiscal: aventuras nessa seara redundam em contas bilionárias, divididas entre os contribuintes.

Acostumada a colher apenas os louros da bonança, a administração Lula evita assuntos espinhosos que poderiam diminuir o custo absurdo do dinheiro no Brasil. Faz espalhafato com o BB, mas dribla, por exemplo, a necessidade de modernizar o sistema de poupanças obrigatórias e tabeladas. Fundo de Garantia, Fundo de Amparo ao Trabalhador e caderneta de poupança são arcaísmos que direcionam, por força de lei, recursos que pertencem aos cidadãos. Estabelecem pisos artificiais para os juros de mercado, dificultando quedas maiores nas taxas.

A crise chegou ao Brasil há mais de seis meses, sob a forma de um torpedo no crédito, mas até hoje o governo não conseguiu formular um plano ambicioso para livrar o mercado de suas notórias amarras institucionais, concorrenciais e tributárias. Nem mesmo o chamado cadastro positivo -que possibilitaria a oferta de juros mais baixos para bons pagadores- foi aprovado no Congresso.

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FOLHA DE SÃO PAULO, 13 de novembro de 2009

Dinheiro

BB lucra R$ 1,98 bi e aumenta liderança em ativos

DA REPORTAGEM LOCAL

Com os concorrentes privados ainda tímidos no crédito, o Banco do Brasil acelerou a concessão de novos empréstimos no terceiro trimestre e seguiu ganhando mercado.

O BB teve lucro líquido de R$ 1,979 bilhão no terceiro trimestre, 6% acima do registrado no mesmo período de 2008 e 2,3% maior do que no trimestre anterior. O resultado ficou acima do R$ 1,811 bilhão do Bradesco, mas abaixo dos R$ 2,268 bilhões do Itaú Unibanco.

Com a agressividade no crédito e com as aquisições, o BB encerrou setembro com R$ 685,7 bilhões em ativos, bastante à frente do rival Itaú Unibanco (R$ 612 bilhões), que perdeu a liderança em porte no final do primeiro semestre. O Bradesco segue em terceiro, com R$ 485,7 bilhões.

Pela primeira vez, o BB incluiu 50% do Banco Votorantim, comprado em janeiro, que trouxe R$ 45 bilhões.

Mas foi a agressividade do BB na expansão do crédito que mais surpreendeu. O banco ampliou sua participação no crédito de 18,7% para 20,1% de junho para setembro, encostando nos 20% do rival Itaú.

A carteira total de empréstimos do BB, incluindo avais e fianças, ultrapassou em setembro os R$ 300 bilhões, crescendo em ritmo anual de 41,1%, bastante acima dos 16,2% do mercado como um todo.

Na conta, estão os empréstimos feitos pela Nossa Caixa e metade do Votorantim. Descontando-se os dois bancos e os avais, o BB teve crescimento ainda agressivo, de 26%.

"Spread"


Para avançar no crédito, porém, o BB teve reduzidas suas margens de ganho, possivelmente com a redução dos "spreads" [diferença entre juro de captação e repassado ao cliente]. Segundo a Austin Ratings, o retorno sobre o patrimônio líquido, indicador de rentabilidade do acionista, recuou de 28% no terceiro trimestre de 2008 para 23,7% no último trimestre. Mesmo assim, segue acima dos 18,7% de Itaú e dos 20,3% do Bradesco.

Para o presidente do BB, Aldemir Bendine, os bancos privados devem agora avançar com mais fôlego para retomar o espaço perdido. "Como a gente tem condições privilegiadas em relação a custo, qualificação de profissionais, diferenciais em relação à capilaridade, a gente imagina que continue crescendo acima do mercado", disse.

Apesar da forte expansão, o BB não teve piora na qualidade dos empréstimos, principal preocupação dos bancos privados durante a crise. A inadimplência acima de 90 dias dos clientes pessoa física atingiu o pico de 5,9% em março, mas já desceu a 5,2% em setembro. No caso das empresas, os atrasos também recuaram -passaram do pico de 3,2% em junho para 3,1% em setembro.

"O BB cresceu com consignado e veículos, modalidades de baixo risco. Aproveitou o IPI [menor] para emprestar. A compra do Votorantim, forte em veículos, caiu como uma luva", diz Luis Miguel Santacreu, analista da Austin Ratings.

Após esse crescimento, o BB está hoje com a menor capitalização entre os grandes bancos, o que leva o mercado a cogitar um aumento de capital em breve. Segundo Bendine, o BB ainda tem folga para conceder mais R$ 100 bilhões em financiamentos.

Para elevar o capital, o banco captou US$ 1,5 bilhão em outubro com títulos perpétuos. "O BB deverá fazer em algum momento um aumento de capital", disse João Augusto Salles, da Lopes Filho.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Por que rejeitamos FHC

Cidadania

Está mais do que na hora de deixar bem escrito e assinado meu ponto de vista sobre uma falácia que a partidarizada grande mídia brasileira espalhou de forma a vender que haveria “continuidade” neste governo de alguma coisa mais importante que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tenha feito além de, por iniciativa de Itamar Franco, dar cara política ao programa de “estabilização” da moeda engendrado por Ronald Reagan e Margaret Tatcher.

O que FHC deixou ao sucessor, foi, sim, uma herança maldita. Legou um país quebrado e não foi por conta do “risco Lula”, como vende a mídia aliada do PSDB e do PFL. Em 2002, o Brasil estava de joelhos, sem perspectivas de futuro e com a economia totalmente desarranjada. O país acabara de enfrentar cerca de um ano de racionamento de energia elétrica por falta de investimentos. O desemprego estava nas alturas. Os investimentos, paralisados havia anos. A inflação havia explodido.

Sim, o alarmismo vendido pela mídia, pelo PSDB e pelo PFL (já naquele tempo) quanto a um possível governo Lula fez o dólar disparar e o risco-país subir no ano eleitoral de 2002, mas essa é apenas mais uma culpa desses partidos de direita e dos jornais, revistas, tevês e rádios que, desde então, aquele grupo político-ideológico já controlava.

E a péssima situação que Lula herdou em 1º de janeiro de 2003 se deveu à quebra do Brasil em 1999, causada por FHC, por ele ter mantido o real sobrevalorizado até o começo daquele ano depois de passar 1998 inteiro garantindo que seria desnecessário desvalorizar a moeda brasileira diante do dólar, e que o risco era Lula se eleger presidente naquele ano e desvalorizar a nossa moeda.

Há fartura de estudos da FGV, do IBGE, do IPEA, do FMI, do Banco Mundial etc. dando conta dos enormes prejuízos causados ao país por este ter mantido o dólar engessado por força de lei de forma a gerar a falsa sensação de bem-estar entre a população que o câmbio decretado por lei causa enquanto corrói a economia de dentro para fora.

Dados oficiais mostram que custou diretamente ao país 40 bilhões de dólares a aventura cambial tucana. Pode parecer pouco para um país que já caminha para os 300 bilhões de dólares de reservas em dólar, mas, naquela época, nossas reservas chegaram a 16 bilhões de dólares, ou seja, tivemos que esmolar ao FMI e a Bill Clinton quase o triplo do que tínhamos de moeda americana.

O resultado da aventura cambial tucana entre 1994 e 1998 foi a quase destruição da economia brasileira. Por isso ficamos sem energia no começo do século XXI, porque, para manter o dólar barato, privatizaram as jóias da coroa das empresas estatais a preço de banana, pois precisávamos dos dólares para pagar o serviço (juros e amortização) da dívida externa e, como passamos a importar mais do que exportar, as contas não fechavam.

Naquela época, antes da maxidesvalorização de 1999, o PT e Lula, então na oposição, denunciavam o câmbio sobrevalorizado por força de lei e pregavam o câmbio flutuante, que FHC teve que adotar depois, além de um mercado de consumo de massas forte como aquele que o governo petista implantaria no Brasil com os resultados que estamos vendo hoje.

Aliás, leitores, cuidado quando alguém tentar comparar a política cambial de hoje com a que FHC praticava. Hoje, quem define o valor da moeda americana é a lei da oferta e da procura; no governo tucano, o preço do dólar era definido por decreto governamental.

Não é por outra razão que pesquisa CNT-Sensus divulgada em novembro último apurou que o povo brasileiro rejeita FHC de forma convicta e que o apoio dele ao seu ex-ministro José Serra, hoje governador de São Paulo, tira votos do candidato da direita à sucessão do presidente Lula.

Reproduzo abaixo, portanto, as palavras do diretor do instituto Sensus, Ricardo Guedes, comentando a detecção da enorme rejeição que ostenta até hoje o ex-presidente tucano.

Rejeição de FHC prejudica Serra, diz Sensus

23-11-2009

Portal G1

A rejeição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso vem prejudicando o candidato José Serra. A informação é do diretor do Instituto Sensus, Ricardo Guedes, e do presidente da CNT, Clésio Andrade.

De acordo com a pesquisa divulgada hoje, 76% da população considera Lula melhor que FHC.

Somente 3% dos entrevistados disseram que o único candidato em que votaria é um indicado pelo ex-presidente.

Quando o pedido é de Lula, 20,1% dos entrevistados dizem que o nome oferecido seria o único em que votariam.

O contrário é pior para FHC.

Dos entrevistados, 49,3% disseram que não votariam num candidato indicado por FHC.

Outros 16% disseram que não votariam num nome indicado por Lula.

"Serra está caindo devido ao apoio do FHC. Ele está muto ligado ao ex-presidente, que fala em seu nome e o coloca na mídia. Sem contar que ele foi ministro em seu governo", explicou Clésio.

Mesmo sem ter dados comparativos entre as pequisas anteriores, Ricardo Guedes explicou que, na média, Serra vem perdendo votos.

"Ele era um candidato mais forte no inicio do ano', disse.

A mídia partidarizada (Globo, Folha, Veja, Estadão etc.) tenta caracterizar uma absurda “ingratidão” dos brasileiros quanto a FHC e não desiste de elogiá-lo incessantemente em seus jornais, revistas, rádios, tevês e portais de internet, mas é inútil. Nem essa mídia nem a oposição a Lula entenderam que o povo se lembra muito bem do que era o Brasil quando essa gente governava.

Este ano, haverá que refrescar ainda mais a memória dos brasileiros e denunciar a tentativa inútil da mídia de colorir de rosa o período obscuro que se abateu sobre este país entre 1995 e 2002, período que nos obrigou a retroceder décadas e que dificultou ainda mais a tarefa hercúlea deste governo de nos resgatar do fosso em que estávamos ao fim da era tucana.

E quando a conversa de Boris Casoy chega na cozinha?

Os Amigos do Presidente Lula

O preconceito destilado por Boris Casoy (junto a outros jornalistas não identificados no Jornal da Bandeirantes) contra os garis, demonstra o erro da elite em semear a segregação social.

Essa elite trata gente e profissões mais humildes como se fossem invisíveis, inferiores, como se fossem insignificantes.

Mas as pessoas "invisíveis", tem até poderes que a elite mal imagina.

A maioria das pessoas vai simplesmente trocar de canal, tratando Boris Casoy como lixo não reciclável. Não agem pelo sentimento de vingança, vão simplesmente desprezar Boris. Mas semear o desrespeito, o preconceito, a ofensa, acaba atingindo alguém onde o calo dói mais, e pode despertar instintos de retaliação em alguns.

Imaginem se um trabalhador da cozinha de algum restaurante em que Boris Casoy vier a comer, resolver "dar um trato" no bife dele?

Coisas como bater o bife que será servido à ele com o salto do sapato, por exemplo.

Até a noite de Domingo, dia 3, as diversas cópias dos vídeos no Youtube com Boris desdenhando dos garis, já somam mais de 1 milhão de exibições (o mais visto supera 800 mil).

Da mesma forma que existem bastidores na TV, existem bastidores da gente "invisível". Pessoas como Boris Casoy deveriam pensar mais nisso, antes de semear a segregação social com seu idiotismo travestido de complexo de superioridade.

domingo, 3 de janeiro de 2010

O Gregório de José Serra no Reveillon de Trancoso

Getúlio Vargas teve um chefe da segurança pessoal: Gregório Fortunato.

José Serra tem um ex-sócio e compadre: Gregório Preciado.

A semelhança acaba na rima. Se o Gregório de Vargas morreu pobre e na prisão, acusado de mandante no atentado contra Carlos Lacerda, o Gregório do Serra tem usufruído do patrimônio que ostenta e proporciona aos parentes, em lugares paradisíacos como Trancoso (BA), apesar dos escândalos e processo que corre nos tribunais há anos.

Gregório Marin Preciado é um espanhol naturalizado brasileiro, e casado com a prima de José Serra (PSDB/SP), Vicencia Talan Marin. Até aí tudo bem, não fossem os fatos:

- dele estar sendo processado por uma dívida junto ao Banco do Brasil, perdoada irregularmente pela diretoria demo-tucana na época (Ricardo Sérgio de Oliveira era diretor, ligadíssimo a José Serra);

- por um nebuloso e milionário negócio imobiliário na Ilha do Urubu, em Porto Seguro no governo anterior de Paulo Souto (DEMos/BA);

- pelo consórcio de privatização montado com o mesmo Ricardo Sérgio, levando a Previ, o Banco do Brasil a associarem-se à espanhola Iberdrola, representada por Gregório Preciado, para comprar as empresas estaduais de eletricidade: COELBA (Bahia), a CELPE (Pernambuco) e a COSERN (Rio Grande do Norte);

Em 2002 Preciado já era conhecido pelo patrimônio imobiliário em Trancoso e Porto Seguro, na Bahia, e pelas amizades: família Serra, filho (reconhecido) de FHC, e outros menos famosos.

Coincidentemente, tanto o filho de FHC como a filha de Serra tornaram-se felizes proprietários de casas de luxo na região.

Sua atividade imobiliária famosa mais recente na região envolve o escândalo da Ilha do Urubu em 2006.

Em 2002 o jornal Estado de Minas já publicava (e o Correio Braziliense reproduzia):

Um funcionário de Preciado contou ao Estado de Minas que seu patrão é amigo do ex-ministro da Saúde. "A dona Mônica, mulher do Serra, vem sempre aqui", relatou... Em outra casa de Preciado, no centro de Porto Seguro, o filho de Serra, Luciano, teria passado o réveillon de 2001 na casa de Preciado.


Casa de Gregorio Preciado em Porto Seguro: visitas frequentes da mulher de Serra em 2002

Agora a família Serra já progrediu e já passa o reveillon na mansão própria da filha em Trancoso (BA), Verônica (a "ronaldinha" de Serra), como aconteceu na virada deste ano.

A amizade de José Serra com Preciado chegou ao limite da irresponsabilidade na década de 1990 (os fatos abaixo estão narrados e documentados na denúncia do Ministério Público Federal, cuja íntegra está aqui):

- Segundo relatório da CPI do Banespa, outro ex-sócio de Serra em empresa de consultoria financeira, Vladimir Antônio Rioli (ex-vice-presidente de operações do Banespa), também beneficiou Gregório Preciato, com um empréstimo de R$ 21 milhões.
Detalhe: O próprio Gregório foi membro do Conselho de Administração do Banespa, de 1983 a 1987 (quando José Serra era secretário de planejamento de governo de São Paulo, na gestão Franco Montoro).

- Em 1993 as firmas GREMAFER e ACETO (de Gregório Preciato), tomam um empréstimo no Banco do Brasil.

Em 1994, a GREMAFER e a ACETO não tinha dinheiro para pagar as dívidas com o Banco do Brasil, mas arranjaram dinheiro para fazer doação de R$ 62.442,82 à campanha de JOSÉ SERRA ao Senado, naquele ano.

- José Serra também teve um terreno no Morumbi (bairro nobre da cidade de São Paulo) em sociedade com Gregório Preciado, comprado em 1981. Venderam o terreno em 25 de abril de 1995, coincidentemente um mês antes do Banco do Brasil pedir o arresto do terreno na justiça para receber a dívida de Gregório Preciado. A decisão foi protocolada na Justiça em 25 de julho, mas resultou nula por causa da venda.

- Os favores a José Serra foram além das doações de campanha: o prédio da GREMAFER (mesma empresa inadimplente no Banco do Brasil) foi comitê de campanha nas eleições de 1994 (ao senado) e 1996 (a prefeito).

- Desde 1993, uma outra empresa de consultoria de José Serra, em sociedade com sua filha Verônica, denominada ACP Analise da Conjuntura Econômica e Perspectivas LTDA, sempre funcionou no prédio da firma GREMAFER (Rua Simão Álvares n. 1.020, São Paulo), de propriedade de Gregório Preciado.

- Após os favores, houve renegociação irregular da dívida, e aconteceu os 2 perdões indevidos no Banco do Brasil: um prejuízo no valor de R$ 73 milhões (em dinheiro da época, sem correção para o valor de hoje), uma parte em 1995, quando José Serra era Ministro do Planejamento de FHC (com influência nas nomeações da diretoria do Banco do Brasil, como de Ricardo Sérgio) e outra em 1998.

Esse "perdão" da dívida virou a ação 2002.34.00.029731-6, movida pelo Ministério Público Federal, em curso no Tribunal Regional Federal da 1a. Região (Distrito Federal).

José Serra passou o reveillon 2009 em Trancoso na casa da filha. Não se sabe se na calada da noite foi estourar um campanhe na mansão vizinha da prima e do compadre Gregório.

O que se sabe, pelos processos e escândalos, é o quanto demo-tucanos e suas "amizades" nos custam aos cofres públicos brasileiros.

Destruição e caos na histórica Paraitinga...E, José Serra passeando em Trancoso



Em cunha (SP) morreram 6 pessoas da mesma familia: A empresária Alice Moron Silva, de 41 anos, foi internada ontem, às 15h20, no Hospital 9 de Julho, em Cerqueira César, na capital paulista. Ela perdeu toda a família em um deslizamento de terra em Cunha, no Vale do Paraíba em São Paulo, no réveillon. Morreram o marido dela, o empresário Mário Penha, de 46 anos, os filhos do casal -Eduardo, de 15 anos, e Sabrina, de 11-, a única irmã dela, Ingrid, e os pais, Manolo e Érica. Alice chegou a São Paulo de helicóptero vinda de Guaratinguetá e foi transferida de ambulância do aeroporto de Congonhas para o hospital.

O sobrinho da empresária, Pablo Lozada, de 26 anos, contou ontem no hospital que ficou sabendo da tragédia na noite de sexta-feira. Segundo ele, a tia chegou consciente, com vários arranhões no rosto e com a roupa impregnada de terra.

Destruição em Paraitinga.

Eram 11 horas da manhã de ontem quando ruiu a primeira torre da Igreja da Matriz, construída no século 19, em São Luís do Paraitinga, no Vale do Paraíba. Uma grande onda de água se formou nas águas do Rio Paraitinga, que cobriam as ruas da cidade. A forte correnteza levou abaixo, logo depois, a segunda torre da Matriz e três casarões vizinhos tombados pelo patrimônio histórico. Moradores que viam a cena, ilhados nas ruas de paralelepípedo da parte mais alta da cidade, começaram a chorar.

As cheias que atingiram Paraitinga nos últimos dois dias ameaçam um dos mais importantes patrimônios culturais do Estado. Ainda é impossível saber quantos casarões ficaram de pé, entre os mais de 90 tombados - 10 já vieram abaixo.

Nas ruas do centro histórico, completamente submerso, só era possível enxergar o topo de postes de luz e os picos dos telhados das casas com dois andares ou mais. Desde as 2 horas da madrugada, a energia da cidade foi desligada para permitir que o tráfego de botes de resgate ocorresse sem riscos de se enroscar nos fios. Só se sai e chega à cidade de barco.

O rio subiu cerca de 10 metros e cobriu a delegacia, o mercado municipal, a maioria das pousadas, escolas, postos de saúde, hospitais, deixando quase toda a cidade embaixo d"água. Mais de 5 mil moradores estão desabrigados, metade da população .Leia mais aqui

Mídia criminalizou as doações, diz ministro Paulo Bernardo



A afirmação é do ministro Paulo Bernardo (Planejamento): "As empresas dão dinheiro de caixa dois porque tem caixa dois. E o caixa dois contamina as eleições. Vamos ser francos".

Para o ministro, o maior problema hoje no financiamento das campanhas eleitorais é que "criminalizaram as doações legais". "As empresas fazem doação legal. Na hora da prestação de contas, falam que elas têm conluio com esse e aquele candidato, deu dinheiro porque tinha interesse", afirma.

Em sua opinião, a doação direta para os partidos deveria ser incentivada como forma de fortalecer o sistema partidário.

Ele observa ainda que o candidato que está na frente nas pesquisas eleitorais recebe mais dinheiro, mas que é muito comum o fenômeno das empresas que doam para os dois lados: "Digamos, para ficar bem com todo mundo". Leia a seguir os principais trechos da entrevista para a Folha assinante

FOLHA - Qual a sua expectativa sobre o financiamento de campanha na eleição deste ano?

PAULO BERNARDO - Está ruim e vai continuar ruim.

Folha - Por quê?

PAULO BERNARDO - Porque visivelmente o Congresso não consegue reunir maioria para votar projetos de reforma política, profunda mesmo. Temos um sistema que induz a absurdos, como as doações de caixa dois. As pessoas são induzidas pela mídia a achar que caixa dois existe por causa de eleições, mas não é verdade. As empresas dão dinheiro de caixa dois porque tem caixa dois. E o caixa dois contamina as eleições. Vamos ser francos. E tem um problema adicional. A lei prevê doações legais, feitas formalmente para candidatos e partidos. Quando sai a prestação de contas, é tratado como se fosse um absurdo, uma irregularidade.

FOLHA - A sua avaliação é que criminalizaram o caixa um?

PAULO BERNARDO - Está criminalizado, a eleição está criminalizada. Então, se uma empresa faz uma doação para um candidato ou se faz por partido, que é legal também, na hora que sai a prestação de contas, falam que ela tem conluio com esse e aquele candidato, deu dinheiro porque tinha interesse.

FOLHA - Isso estimula a doação pelo caixa dois, na sua opinião?

PAULO BERNARDO - Acho que inibe a doação legal. Tem as doações para os partidos, o que é legal, mas é tratado como se fosse bandalheira.

FOLHA - A doação oculta...

PAULO BERNARDO - Mas a doação não é oculta. O cara faz um cheque, deposita na conta e o partido distribui para quem quiser.

FOLHA - Conversei com empresários e eles estão dizendo que vão priorizar a doação aos partidos, porque avaliam que a contribuição para os candidatos ficou criminalizada.

PAULO BERNARDO - Quem doa dinheiro oficialmente, faz a doação legal, vai para o jornal como participante de algum conluio, como se ele estivesse querendo fazer alguma irregularidade. Agora, repetindo, não é verdade que caixa dois exista só na eleição.

FOLHA - Mas o sr. não acha que, pela doação aos partidos, a empresa não está tentando dissimular para quem doou?

PAULO BERNARDO - Eu acho que, diferentemente do que os jornais têm propagado, penso que a doação para um partido é uma forma digna de fazer a contribuição. Faz para o partido, tem vínculo com aquele programa daquele partido. Isso fortalece os partidos.

FOLHA - Reservadamente, alguns empresários disseram que, junto com a doação para os partidos, segue uma lista de quem deve receber o dinheiro, uma prova de que eles estão querendo fugir da identificação com esse e aquele candidato.

PAULO BERNARDO - Parece que é verdade. Agora, de qualquer forma, cria um vínculo com o partido, porque o tesoureiro desse partido pode passar ou não esse dinheiro, não é verdade? Essa é uma doação legal. Eu não entendo por que essas pessoas criminalizam isso.

FOLHA - O sr. acha que a ministra Dilma vai ter mais facilidade de arrecadar dinheiro no ano que vem por ser do governo, que controla o BNDES, os fundos de pensão?

PAULO BERNARDO - Olha, a gente tem observado é que o candidato que está na frente nas pesquisas costuma receber mais recursos. A história é essa.

FOLHA - O Serra?

PAULO BERNARDO - Não, eu não disse que é o Serra. Estou dizendo que, normalmente, o candidato que está na frente nas pesquisas recebe mais dinheiro e é muito comum o fenômeno da empresa que doa para os dois lados. Digamos, para ficar bem com todo mundo.

FGV: número de miseráveis no País cairá pela metade até 2015...Então...vote em Dilma

Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas afirmou neste domingo que nos próximos cinco anos, o Brasil deve reduzir o número de miseráveis pela metade e aumentar em 50% as classes A e B. Segundo informações do jornal O Estado de São Paulo, os dados levantados pelo diretor do Centro de Políticas Sociais da instituição, Marcelo Neri, informam que, em 2015, os pobres serão apenas 8% dos brasileiros, caindo para quase um quarto da proporção que vigorava em 1993, de 35%.Leia a seguir a matéria

Nos próximos cinco anos, o Brasil deve reduzir o número de miseráveis pela metade e aumentar em 50% as classes A e B. A projeção é de Marcelo Neri, diretor do Centro de Políticas Sociais, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Conforme sua estimativa, no início de 2015, os pobres serão apenas 8% dos brasileiros, caindo para quase um quarto da proporção que vigorava em 1993, de 35%. Em pouco mais de duas décadas (1993-2005), um contingente de 51,6 milhões de brasileiros muito pobres, numa população de 147 milhões, será reduzido para 16,1 milhões, em 222 milhões - ou seja, uma queda de quase 70% em termos absolutos, mesmo levando-se em conta o aumento populacional.

A linha de pobreza utilizada por Neri corresponde a uma renda per capita familiar de R$ 137 na média do Brasil (a linha varia de acordo com a região). Nesse conceito, que representa uma linha de pobreza relativamente baixa (alguns consideram que seja uma linha de extrema pobreza), os pobres correspondem exatamente à classe E.

Neri diz que aquele é um cenário "auspicioso", ou de "otimismo condicionado à manutenção das políticas razoáveis aplicadas entre 2003 e 2008". Mas não julga a projeção nem um pouco improvável. Na verdade, baseia-se na hipótese de que a fase que ele chama de "era de ouro" dos avanços sociais no Brasil, de 2003 a 2008 (ou de 2001 a 2008, quando se toma a desigualdade) prolongue-se por mais cinco anos, depois de um momento de estagnação em 2009, em função da crise global.

Entre 2003 e 2008, 32 milhões de brasileiros ascenderam às classes A, B e C, e 19,3 milhões saíram da pobreza, provocando uma redução de 43% na proporção de pobres. O consumo popular cresceu e fortaleceu o mercado interno.

Simultaneamente, ele supõe que a queda da desigualdade verificada de 2001 a 2008 prossiga até 2015, levando os índices brasileiros para o nível atual do Espírito Santo. Com base na Pnad de 2008, o índice de Gini da renda familiar per capita do Brasil em 2008 era de 0,5486, comparado a 0,518 do Espírito Santo. Em 2003, o Gini brasileiro era de 0,583. O Gini é um indicador de desigualdade que varia de zero a 1, e indica piores distribuições à medida que vai aumentando.

Classe média

As projeções apontam uma profunda mudança no perfil social do Brasil, que caminharia para se tornar um país de classe média. Se à classe E for acrescentada a classe D, que também está próxima à pobreza, chega-se a uma proporção da população de 40% em 2008, que deve cair para 28% no início de 2015. Já a classe C, correspondente à classe média popular, cresce de 49% para 56,5%, tornando-a a maioria absoluta do população. As classes A e B, finalmente, sobem de 10,5% para 15,7%. Assim, a classe média como um todo, que hoje já corresponde a pouco mais de 60%, incluindo-se a classe C, sobe para 72%.

Neri se apoia em algumas evidências de que a melhora social brasileira no período 2003-2008 tem fundamentos sólidos. Ele nota que, nesse período, enquanto a renda média de todas as fontes cresceu em média 5,26%, a renda do trabalho teve uma expansão anual de 5,13%. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

Desespero tucano


Como os eleitores vão votar em 2010? Vão votar na candidata do governo, Dilma Rousseff, ou no Presidente Lula? Nas eleições de 1994, os eleitores votaram no candidato do PSDB, o presidente Fernando Henrique Cardoso, ou no Plano Real? Lula não estará na cédula como o Real também não estava. Essas são as perguntas da pesquisa encomendada por tucanos. A resposta, não foi divulgada.

Mas...a oposição não pode esquecer...

Ontem, pesquisa Datafolha (do jornal aliado ao PSDB), mostrou que Lula é o campeão em matéria de confiança no país.Se você não viu, veja aqui o link. Some isso ao fato de que, no horizonte do Palácio do Planalto figura a hipótese de que o vice presidente José Alencar possa assumir algumas vezes a Presidência da República, em plena campanha sucessória.

Ou seja, daqui para frente os tucanos precisam botar as barbas de molho, pois tudo indica que a ministra apadrinhada do Presidente Lula vai emplacar, enquanto o PSDB se digladia ...

Deputado quer viajar de avião executivo

Mesmo gastando R$ 70 milhões por ano com passagens aéreas, a Câmara (Brasilia)estuda a aquisição de um jatinho modelo Legacy, por R$ 43 milhões. A proposta foi apresentada à Mesa Diretora, no ano passado, por Ernandes Amorim (PTB-RO). Segundo ele, os parlamentares têm dificuldades de transporte para seus estados.

Eles querem um Legacy:No apagar das luzes do ano marcado pela farra das passagens, deputado de Rondônia sugere à Mesa Diretora da Casa a compra de um jato executivo para facilitar o trabalho dos parlamentares

Para o deputado Ernandes Amorim (PTB-RO), as passagens e diárias pagas com o dinheiro do contribuinte ainda não são suficientes para bancar os trabalhos dos parlamentares. Ele quer mais. Pleiteia a compra de um avião. Ou de um jato, "tipo Legacy", como sugeriu (um modelo executivo não sai por menos de US$ 25 milhões, ou cerca de R$ 43,5 milhões). O pedido extravagante foi feito em requerimento entregue à Mesa Diretora da Casa em 16 de dezembro, e defendido na tribuna do plenário. Segundo o parlamentar, a aeronave serviria aos 513 colegas, que, diz ele, não têm condições de se locomover para desenvolver os trabalhos das comissões nos estados.

Fica difícil visualizar a dificuldade a que o parlamentar se refere analisando as cifras dos gastos da Câmara com diárias e passagens. Desde o início da atual legislatura, em 2006, as despesas com passagens da Casa nunca ficaram abaixo dos R$ 68 milhões por ano, segundo números do portal Siga Brasil. Em 2009, dos R$ 78,9 milhões empenhados na rubrica, R$ 33,5 haviam sido pagos até o fim do ano. Com diárias - usadas para bancar despesas com hospedagem e alimentação dos parlamentares e seus assessores -, outro R$ 1,4 milhão foi gasto em 2009.

Ironicamente, a proposta foi feita pelo parlamentar oito meses após revelação de que os parlamentares promoviam uma verdadeira farra com a cota de passagens aéreas. Em abril de 2009, o site Congresso em Foco deflagrou uma série de reportagens que mostraram desvios no uso do benefício. Na Câmara, tinha deputado que havia bancado, com dinheiro público, viagens para namoradas, amigos, celebridades e familiares. Miami e Flórida, nos Estados Unidos, e

Paris, na França, estavam entre os destinos prediletos das autoridades brasileiras que viajaram às custas do contribuinte para o exterior.

Ainda assim, o deputado rondoniense diz que é difícil para ele e os colegas levarem os trabalhos das comissões da Câmara até os seus estados. Mas ele deixa escapar um certo recalque ao defender a aquisição do avião dos deputados. "O Poder Legislativo é o mais rebaixado entre os poderes. Hoje em dia, qualquer empresário tem um avião. Por que a Câmara não pode ter?", questiona. Ernandes Amorim diz ainda que, sempre que os parlamentares precisam se locomover, precisam "pedir esmolas" para a Força Aérea Brasileira (FAB). "Eles nunca podem nos atender", reclama.

Amorim defende que a aeronave possa ser emprestada aos senadores, quando for necessário. E, embora garanta que a aquisição do jatinho não seria regalia, usa um episódio pessoal para ilustrar a necessidade da compra. Diz que sofreu um acidente em 2009 e que teve que gastar muito para poder ser transferido de hospital. "Se a Câmara tivesse um avião, só iria pagar o combustível", analisou.

Impasse à parte, o fato é que Ernandes Amorim é um verdadeiro defensor da qualidade de vida dos parlamentares. "Quando fui quarto secretário do Senado, exigi a compra de carros novos. Estavam todos velhos, com problemas. Agora, como deputado, defendo a aquisição de um avião", lembrou.

Em 2000, Amorim entrou para a história do país como o segundo senador a ser cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele foi condenado à perda de mandato por abuso de poder político e econômico nas eleições de 1994. Agora deputado, diz que o Poder Legislativo está em desvantagem se comparado aos demais que compõem a República. "Estamos empobrecidos diante de outros órgãos. Não quero luxo, mas também não quero ficar pedindo esmola para a Aeronáutica", arrematou.Do Correio

sábado, 2 de janeiro de 2010

Mais uma do PIG/BAND


São todos Bóris Casoys

Cidadania

Na noite de sexta-feira, o âncora de um telejornal da TV Bandeirantes, Bóris Casoy, teve que apresentar pedido de desculpas por comentário ofensivo que fez a dois varredores de rua (garis) durante a apresentação de reportagem da emissora da família Saad em que estes trabalhadores desejavam boas festas ao público.

O jornalista teve que pedir desculpas aos telespectadores e aos garis porque não se deu conta de que o áudio estava ligado durante o intervalo comercial, enquanto ele fazia um comentário absurdo sobre os garis, ridicularizando a profissão deles e desdenhando de seus votos de bom Ano Novo.

Conheci Bóris Casoy pessoalmente faz cerca de nove anos. Foi num evento promovido pela Folha de São Paulo em comemoração aos 80 anos do jornal. O então ombudsman da Folha, Bernardo Ajzemberg, foi quem me convidou. Eu era um dos leitores mais publicados na seção de cartas daquele veículo.

Até então, jamais tinha visto um político na frente, apesar de todos os dias escrever artigos sobre política tanto quanto hoje, os quais enviava para listas de e-mails e para sites como o Observatório da Imprensa. Assim sendo, naquele evento me senti como uma criança na Disneylândia.

Estacionei na garagem da Sala São Paulo, elegante complexo de convenções que fica no centro velho da capital paulista, próximo à Estação da Luz (uma estação ferroviária), paradoxalmente localizado numa região da cidade conhecida como “Cracolândia” por abrigar toxicômanos, população de rua, prostitutas e travestis.

No elevador que de fato me elevava do subsolo até o primeiro piso, onde acontecia o evento, encontrei com José Sarney e com Claudio “elite branca” Lembo. Dali em diante, digo que estavam TODOS os políticos por lá, inclusive do PT.

Lembro-me bem de como Eliane Cantanhêde, que trocou algumas palavras comigo, paparicou a então prefeita Marta Suplicy quando ela apareceu. E de como Clóvis Rossi fez trocadilho com as iniciais que eu usava ao assinar textos rápidos, EG. Rossi fez trocadilho com EJ, de Eduardo Jorge, ex-secretário de FHC então metido num escândalo rumoroso.

No mais, apesar de se mostrarem condescendentes com seus fãs – e eu, de alguma forma, era um deles, pois acabara de trocar o Estadão pela Folha atraído pela então maior pluralidade deste jornal –, aqueles colunistas e apresentadores de tevê ou rádio que ali estavam, bem como os políticos, portavam-se todos como verdadeiros demiurgos em meio à ralé mortal.

Devido ao ar de superioridade condescendente daquela fauna política e jornalística que, na melhor das hipóteses, tentava sorrir com uma amabilidade absolutamente enfadada para os convidados, decidi aproveitar para saber mais sobre ela, puxando conversa com aqueles que me interessavam mais.

Falei com José Genoino, com Ciro Gomes e com Marta Suplicy... Ah, e com o Paulinho da Força Sindical. Além dos políticos, falei com Clóvis Rossi, Eliane Cantanhêde, Fernando Rodrigues e outros jornalistas, incluindo um que se portou como um verdadeiro animal comigo, o tal de Bóris Casoy.

Aproximei-me dele enquanto conversava com um grupo. Fiquei de lado esperando uma brecha para cumprimentá-lo e talvez perguntar alguma coisa, pois pretendia escrever um “post” sobre aquela experiência. Travou-se, então, o seguinte diálogo:

-- Boa tarde. Gostaria de cumprimentá-lo, sou espectador de seu telejornal.

-- Você é uma pessoa de muita sorte, então.

Com essa resposta, Casoy me deu as costas e continuou conversando com seu grupo.

A verdade, meus caros, é que esses colunistas, âncoras de telejornal, apresentadores de programas jornalísticos, a fauna midiática, enfim, acredita-se superior ao “resto” da sociedade. São quase todos iguais, com honrosas exceções. Eles se sentem mesmo superiores e não é só em relação a garis. Pessoas comuns como nós são vistas por eles como algo que tiraram dos ouvidos ou do nariz.

Agora, vocês imaginem uma emissora de televisão aberta, uma concessão pública, ter um sujeito como Bóris Casoy – que, para mim, é um sociopata – dando suas opiniões vulgares, arrogantes, facciosas como se fossem as pérolas definitivas do pensamento humano, todos os dias, em horário nobre. É uma ameaça à sociedade dar esse espaço tão importante a gente com esse caráter.

E alguém acha que Willian Bonner é diferente? Este, por sua vez, chamou seus telespectadores de Homer Simpson, numa alusão a uma suposta baixa capacidade intelectual deles. Despreza seu público de forma acintosa e a impressão que se tem é a de que se gaba de que este não nota.

Mas o interessante é que quando Casoy me destratou naquele evento da Folha, fiquei pensando comigo, depois ao chegar em casa, que uma pessoa pública com aquela postura arrogante, animalesca, algum dia seria desmascarada. Acredite quem quiser: eu pensei isso de verdade.

Porque é muito simples, pessoal: o sujeito pode enganar algumas pessoas por muito tempo ou muitas pessoas por algum tempo, e, inovando no dito popular, pode enganar muitas pessoas por um bom tempo, mas é certo que não poderá enganar a todos para sempre. Sobretudo hoje em dia, com a internet.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Eles são uma vergonha!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Os Amigos do Presidente Lula

O apresentador Boris Casoy pediu desculpas meia boca aos telespectadores durante o Jornal da Band nesta sexta-feira (1), comentando um vídeo que vazou na internet e que mostra Casoy ridicularizando a participação de dois garis no jornal da Band, desejando feliz ano novo.

"Ontem durante o programa eu disse uma frase infeliz que ofendeu os garis. Peço profundas desculpas aos garis e a todos os telespectadores", afirmou Boris Casoy em um breve comentário.

No vídeo, veja aqui, nesta sexta-feira (1), após a participação de dois garis desejando votos de feliz ano novo, é possível ouvir as frases de Boris Casoy dizendo: "que merda... dois lixeiros desejando felicidades do alto de suas vassouras" e "dois lixeiros, o mais baixo da escala do trabalho".

"Foi um erro. Vazou, era intervalo e supostamente os microfones estavam desligados", disse Boris Casoy, para a Folha...Email do Casoy, bcasoy@band.com.br e do Joelmir Beting jbeting@band.com.br


Eles são uma vergonha!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! (2)


1 de janeiro de 2010:A dupla de idiotas não perceberam que ainda estavam no ar....

Joelmir Beting e Boris Casoy humilham a dupla de garis que desejam feliz 2010. Não perceberam que o áudio ainda estava no ar. Claro exemplo de preconceito e arrogância. Email do Boris Casoy bcasoy@band.com.br

Vaza na Internet vídeo com Boris Casoy humilhando garis

Foi postado hoje um vídeo no YouTube (Veja acima) com cenas do Jornal da Band, em que dois garis desejavam feliz 2010 aos telespectadores.

Porém, no final é possível ouvir comentários do âncora do programa, Boris Casoy, que não percebeu que o áudio vazou. O site também atribui comentários a Joelmir Betting.

- Que m... Dois lixeiros desejando felicidades... Do alto de suas vassouras...Dois lixeiros...O mais baixo da escala do trabalho...

Procurado pela reportagem do R7, o jornalista respondeu através da assessoria de imprensa da Band.

- Boris Casoy reconheceu que a frase foi infeliz e ofensiva aos garis, e hoje no Jornal da Band vai pedir desculpas.

Ele pode pedir desculpas mas vai continuar sendo um babaca com mentalidade escravocrata..Boris Casoy "zombou" dos lixeiros. Ele esqueceu que pra ser gari precisa ter segundo grau completo.. Já pra ser jonalista, não precisa nada

Lula é o brasileiro mais confiável entre 27 nomes, diz pesquisa



O Presidente Lula é a pessoa mais confiável para os brasileiros, segundo ranking com 27 personalidades elaborado pelo Datafolha e divulgado pelo jornal Folha de S.Paulo. Lula está à frente de apresentadores de TV como William Bonner e Silvio Santos, do padre Marcelo Rossi e de cantores como Roberto Carlos e Chico Buarque.

Os 11.258 entrevistados, de 14 a 18 de dezembro, deram nota de 0 (menos confiável) a 10 (mais confiável) às personalidades apresentadas. Lula lidera a lista, com nota média de 7,9.

Além disso, 39% dos brasileiros deram nota 10 ao Presidente Lula, contra 4% que lhe deram 0.

Lula é mais admirado no Nordeste, com nota média de 8,74, contra 7,14 no Sul e 7,57 no Sudeste. O Presidente recebeu nota 10 de 62% dos pernambucanos, 53% dos cearenses e 48% dos baianos. Em São Paulo, recebeu 10 em 31% dos casos. No Rio Grande do Sul, onde teve o pior desempenho, obteve 15% das notas máximas.

O Presidente Lula é mais bem avaliado pelos mais velhos --recebeu 47% de notas 10 entre os que têm 60 anos ou mais. Entre os que têm nível fundamental e recebem até dois salários mínimos, teve 52% de notas 10.

Entre os mais escolarizados e mais ricos, o Presidente fica em quinto. Nesse recorte, Chico Buarque lidera, seguido por William Bonner, Caetano Veloso e Roberto Carlos.

Homens de mídia


De todas as personalidades, apenas duas --Lula e Silvio Santos-- são conhecidas por todos os entrevistados.

Maria Celina D'Araújo, professora de ciência política da PUC-RJ, diz que os primeiros lugares são ocupados por "homens de mídia". "Lula é um grande artista, sabe se comunicar. É um aspecto das novas sociedades de espetáculo. Poucos sabem se aproveitar disso, e o Lula sabe", afirma.

Para Maria Celina, especialista nos governos Getúlio Vargas, nenhum presidente explorou tanto a comunicação de massa, principalmente via programas de rádio e TV e colunas em jornais.

Ex-presidentes

Chama a atenção o fato de que, dos últimos cinco colocados, quatro são ex-presidentes: Fernando Henrique Cardoso, Itamar Franco, José Sarney e Fernando Collor, este o menos confiável de todos.

Entre os pré-candidatos de 2010, o atual governador de São Paulo, José Serra (PSDB), aparece mais bem colocado. Com nota média de 6,23, ele fica em 14º lugar no ranking geral.

O também tucano Aécio Neves, governador de Minas Gerais, fica na 19ª posição, com nota média de 5,45. Em 20º, está o deputado federal Ciro Gomes (PSB), com média de 5,41, seguido pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), com 5,40, e pela senadora Marina Silva (PV), com nota média de 5,15.

Serra tem suas melhores notas nos Estados de Santa Catarina (6,67) e São Paulo (6,47) e as piores no Distrito Federal (5,3), no Rio de Janeiro (5,61) e na Bahia (5,72). No Distrito Federal, o panetone do DEM grudou no PSDB, por ter apoiado o governador Arruda

Dilma tem as melhores notas no Ceará (6,18) e em Pernambuco (6,14) e as piores, no DF (4,65), em São Paulo (4,76) e em Minas Gerais (4,92), curral eleitoral do PSDB.

Imagem

O cientista político Luciano Dias diz que "a imagem positiva ou negativa é resultado do fluxo de notícias sobre essa pessoa". Segundo Dias, artistas como Chico Buarque ou o padre Marcelo Rossi raramente são expostos a um noticiário negativo, o que explica o bom desempenho deles na consulta.

Para o cientista político, o raciocínio também pode ser aplicado ao Presidente Lula, que hoje sofre ataques menos contundentes por parte da oposição. "Na medida em que ele foi ampliando sua popularidade e não é candidato, o interesse em atacá-lo é muito baixo."

Lula, o cara

O Presidente Lula entra no último ano de seu segundo mandato ostentando a maior popularidade já obtida por um presidente da República desde que o Datafolha começou a fazer essa avaliação do governo federal, em 1990.

Conforme os números da pesquisa realizada entre os dias 14 e 18 de dezembro, Lula atingiu 72% de aprovação (ótimo/bom), contra apenas 6% que avaliaram seu governo como ruim ou péssimo. O percentual dos que consideram seu desempenho regular é o menor já verificado -21%.

O significado do fenômeno Lula fica ainda mais evidente quando contrastado, por exemplo, com a popularidade de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, em dezembro de 2001, decorridos também sete anos de governo tucano. FHC tinha então uma aprovação de 24%, contra 35% que avaliavam sua gestão como ruim ou péssima.

Cresce otimismo do brasileiro com economia ..Não troque o certo pelo duvidoso...Para dar continuidade ao governo Lula, vote em Dilma

Os brasileiros estão confiantes em que vão melhorar de vida em 2010, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha. De acordo com o instituto de pesquisas, 57% dos brasileiros afirmam que, nos próximos meses, a própria condição econômica será mais positiva. Na pesquisa anterior, que foi feita em março, o percentual era de 50%.Em relação ao futuro da situação econômica do país, 42% dos brasileiros afirmam que ela vai melhorar, ante 31% no levantamento anterior.

A percepção sobre o poder de compra dos salários também é favorável. Segundo o Datafolha, 34% dos entrevistados afirmaram que o rendimento dará mais capacidade de consumo aos trabalhadores. O percentual era de 25% em março.

O otimismo dos brasileiros se reflete também nas perspectivas para o emprego e para a inflação. Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, afirma que a percepção da população sobre a economia voltou aos patamares registrados antes da recessão que atingiu o mundo. "Passada a crise, os brasileiros voltam a confiar no país."

Paulino destaca que, com a confiança em alta, a disposição para comprar bens e serviços aumenta. "O otimismo é uma mola para o consumo, que é incentivado pelo próprio Presidente." Durante a crise, Lula pediu à população que não deixasse de comprar. O diretor do Datafolha avalia que os estímulos do governo transmitiram ao consumidor a segurança de que ele pode gastar sem correr riscos.

Salários e inflação

A percepção sobre o poder de compra é influenciada pelos reajustes nos salários. Embora a crise tenha forçado uma queda no ganho real dos trabalhadores, o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) aponta que, em 93% das negociações, os sindicatos conseguiram aumentos iguais ou acima do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) no primeiro semestre de 2009 (último dado disponível). Em quase metade das negociações, o aumento real foi menor que 1%.

A queda da inflação é outro fator que aumenta o poder de compra, pois faz com que os gastos -principalmente com os alimentos- pesem menos no orçamento das famílias.Em 2008, a situação do país era diversa: apesar do bom desempenho da economia e do aumento real de 4% no salário mínimo em março daquele ano, a inflação fechou em 5,9% de janeiro a dezembro -ante 3,93% em 2009, até novembro. Os preços dos alimentos subiram 11,11%, percentual muito superior aos 2,93% registrados até o penúltimo mês de 2009.

Círculo virtuoso

Francisco Pessoa, economista da LCA Consultores, aponta que há convergência de indicadores que elevam a confiança dos consumidores e que prenunciam que 2010 será um ano positivo para a economia. "Há um círculo virtuoso a caminho. As pessoas confiam na economia e gastam mais, o que gera mais empregos e possibilita que mais gente compre mais."

"Iniciar o ano desse jeito é muito bom porque o otimismo se reflete no gasto das famílias", avalia Pessoa.

Os mais otimistas, segundo o instituto de pesquisa, são os brasileiros mais jovens, os mais escolarizados e os de maior renda.O diretor-geral do Datafolha afirma que os entrevistados com maior escolaridade estão mais bem informados e, portanto, têm acesso às previsões positivas para a economia em 2010. "Eles percebem que a crise está passando e que as perspectivas são boas para o ano."O Datafolha ouviu 11.429 pessoas em 381 municípios entre 14 e 18 de dezembro. A margem de erro máxima é de dois pontos para mais ou menos.

Os brasileiros com maior renda são os mais otimistas sobre o futuro da própria condição econômica. Segundo o Datafolha, 64% dos entrevistados com renda familiar mensal superior a dez salários mínimos disseram que vão melhorar de vida nos próximos meses.

O percentual é o mesmo para os que têm renda entre cinco e dez salários mínimos, mas cai para 55% entre os brasileiros cujas famílias ganham até dois salários mínimos

Mauro Paulino, do Datafolha, diz que o otimismo é uma característica presente nos últimos anos, principalmente em relação ao acesso ao consumo. "Os mais pobres têm a possibilidade de sonhar com itens a que não tinham acesso, e os que têm maior renda sonham com o automóvel, com um segundo carro ou com eletrônicos."

Ele destaca que os brasileiros têm estado mais confiantes no governo Lula do que na gestão Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Quando o Datafolha perguntou sobre perspectivas para a situação econômica dos entrevistados em agosto de 2002, no fim do governo tucano, 41% apontaram confiança em relação à melhora da própria situação econômica.


Na época, os brasileiros com menor renda eram os mais confiantes, ao contrário do que ocorre agora. A resposta otimista sobre o próprio orçamento foi escolhida por 43% dos entrevistados que tinham renda familiar de até cinco salários mínimos e por 32% das pessoas com renda familiar superior a dez salários mínimos.

Em agosto de 2002, 28% dos brasileiros afirmaram que o poder de compra aumentaria. No período, o dólar subiu com força e a economia viveu uma crise de confiança antes das eleições.

Durante todo o primeiro mandato de Fernando Henrique, o percentual dos que acreditavam em ampliação do poder de compra dos salários variou de 20% a 24%. No segundo governo do tucano, os índices oscilaram entre 17% e 20%.....Na última pesquisa do Datafolha, o percentual foi de 34%.

Taxa de desemprego

Os brasileiros com renda familiar superior a dez salários mínimos também são os mais otimistas em relação ao mercado de trabalho, segundo a pesquisa mais recente do Datafolha, realizada em dezembro. O instituto de pesquisas mostra que 38% dos brasileiros nessa faixa de renda apontam que o desemprego vai diminuir nos próximos meses; 24% das pessoas com renda familiar de até dois salários mínimos apontaram essa perspectiva.

Apenas mais uma história

Eduardo Guimarães


No primeiro dia deste ano, cumpri uma promessa que me fiz: assistir ao lançamento do filme sobre Lula. E dois de meus filhos me prometeram que iriam comigo. Na hora H, o garoto se meteu com a namorada debaixo das cobertas para assistir a um DVD de ficção científica e a filha casada deu tantas desculpas que acabo não me lembrando de qual era a principal.

Olho para um lado, para o outro, consultando com os olhos o resto dos familiares sobre se todos teriam coragem de me deixarem ir ao cinema sozinho, numa chantagem emocional que sempre dá certo, mas a opção que me deram foi eleger o membro mais corruptível da família, que eu poderia subornar com um saco de pipocas e alguns doces e refrigerantes.

Minha neta, a Letícia Maria, mostrou-se interessada na proposta. Em poucos minutos, já caminhávamos as quatro quadras que separam meu apartamento (onde a família se reuniu para o almoço de Ano Novo) do Shopping Paulista, onde o filme está em exibição.

A criança de oito anos foi me fazendo perguntas sobre o presidente e até sobre a Presidência da República. Enquanto respondia às questões da Letícia Maria, senti que estava fazendo alguma coisa de muito certa ao levá-la para ver aquele filme, até porque os olhinhos dela brilhavam de interesse pela explicação.

Já na porta do cinema, encontrei os avós paternos de minha neta, ou seja, o pai e a mãe do marido de minha filha, pai da Letícia, e eles também estavam indo ver o mesmo filme que nós.

É um casal de médicos. O homem é baiano e militar (oficial médico jubilado do Exército) e a esposa é paulista-paulistana, descendente de italianos, e cardiologista. Pelo menos o pai de meu genro é um homem de idéias conservadoras. Faço o registro para retomar este aspecto do relato mais adiante.

Em um 1º de janeiro, as ruas do bairro do Paraíso estavam literalmente vazias, bem como o shopping em questão. Surpreendeu-me, pois, ver que pelo menos metade dos lugares do cinema estavam ocupados. Além disso, aquela sala de projeções fica em um dos shoppings mais caros e elegantes de São Paulo, na extremidade Sul da Avenida Paulista, ambiente em que Lula não é lá muito popular.

O filme não me pareceu “endeusar” Lula coisa nenhuma. Mostra a trajetória de um homem simples, de origem muito pobre, dotado de carisma e de inteligência acima de média e que lutou muito durante a vida, tendo sofrido revezes terríveis e que, apesar disso, nunca desistiu por seguir o conselho de sua mãe de que bastaria “teimar” para se alcançar um objetivo.

A obra do cineasta Fábio Barreto mostra Lula como um homem de rara inteligência que, colocado diante do movimento sindical e da política, assumiu quase que naturalmente a liderança de todos os que ali gravitavam valendo-se apenas de seu jeito simples, autêntico e bem-humorado de ser, e de uma ousadia ímpar, como a de convocar uma assembléia de metalúrgicos que era ilegal durante o regime militar.

Ao fim do filme, eu e os pais de meu genro saímos conversando. O sogro de minha filha, que imigrou do Nordeste há décadas e venceu na vida em São Paulo, tendo se tornado médico, disse-me que a história de Lula é apenas mais uma história como a de milhões de nordestinos que vieram tentar a sorte no Sul Maravilha, apesar de que muito poucos vencem como ele próprio e Lula.

Vale destacar que o conservador sogro de minha filha se disse surpreso por nunca ter tido informações como aquelas que acabara de receber sobre a vida do presidente da República, não daquela forma.

Já deixávamos o shopping quando começou a cair uma chuvinha fina, fria, cortante. Chamamos um táxi e o dividimos, pois somos vizinhos. A mãe de meu genro me perguntou o que achava das chances de Dilma, mas o pai ficou pensativo até que se despedisse de mim e de nossa neta quando o automóvel parou diante de minha casa.



Escrito por Eduardo Guimarães às 22h37
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Denúncia

A chantagem dos golpistas

Preferia escrever um texto mais ameno no primeiro dia de 2010, mas como nos últimos dias de 2009, mais uma vez, o Brasil foi encoberto por uma sombra que paira sobre si há mais de cinqüenta anos, pela sombra do golpismo, este meu primeiro texto do ano nada terá de ameno.

Devido aos esforços do governo Lula para trazer à luz os crimes hediondos cometidos pelos golpistas civis e militares nos idos de 1964, acabei lendo textos ameaçadores das instituições na mesma imprensa que fomentou o golpe militar naquele ano tão triste para este país.

O pior texto, o mais mentiroso, o mais covarde e o mais ameaçador foi publicado como editorial pelo jornal O Estado de São Paulo no último dia do ano passado. E não nos esqueçamos de que esse jornal foi um dos mentores empresariais da violação da democracia no Brasil por suas Forças Armadas.

O título do editorial, por si só, já constitui uma chantagem, uma ameaça explícita à democracia brasileira. “Brincando com fogo”, é o título. E quem estaria “brincando” seria o governo Lula, de forma que só se pode entender que os militares poderiam retaliar uma decisão do governo de investigar e punir os abusos da ditadura.

A pergunta de um milhão, pois, é a seguinte: como seria essa retaliação? Por meio de um novo golpe?

Vamos em frente. O editorial em questão é formado por um amontoado de mentiras e de meias verdades que tentam fazer crer ao leitor embriagado daquele jornal mentiroso e covarde que a ditadura de 1964 e a resistência a ela foram a mesma coisa, e que, portanto, não se poderia punir os crimes de Estado que foram cometidos.

Em primeiro lugar, há que desmontar a principal mentira dos golpistas que borboleteiam por todos os estratos da vida nacional, seja na imprensa, nas Forças Armadas, na academia etc. O regime oriundo do golpe de 31 de março de 1964 foi ilegal desde o seu primeiro dia até o último.

Para entender por que o regime militar brasileiro foi ilegal, primeiro temos que entender por que são feitos os golpes de Estado.

Resumindo a premissa em uma frase, pode-se dizer que os golpes são cometidos pelos que não conseguem ganhar eleições por não terem votos, de maneira que optam por desobedecer a vontade popular expressa pelas urnas e tomam o poder à força.

Repito a premissa de outra forma, para que não reste dúvida: golpes de Estado só são concebidos quando não há base legal para interromper um mandato popular e quando não há perspectivas de derrotar o governante dentro das regras do jogo democrático.

O ex-presidente Jango Goulart, portanto, foi derrubado porque seus adversários políticos não acreditavam que poderiam vencê-lo em eleições limpas e porque não tinham como impor a ele um processo político, feito de acordo com a Constituição, que resultasse na perda legal de seu mandato.

É como se nós, que nos opomos a golpes de Estado, decidíssemos que não se pode usar uma concessão pública – como uma televisão, por exemplo – para fazer proselitismo político ou ideológico em favor de grupos sectários e, assim, decidíssemos invadir, em outro exemplo, a TV Globo, a fim de passarmos a exibir nessa concessão pública só aquilo de que gostássemos.

Do que se trata uma atitude como essa descrita acima, é do seguinte: por sabermo-nos desamparados pelas leis, passaríamos por cima delas.

E outra mentira dita pelo editorial em tela foi a de que, para condenarmos os torturadores e assassinos que usaram o poder do Estado em seus crimes, teríamos que punir aqueles que lutaram contra um ato de força ilegal como foi o golpe de 1964.

Mentira. Não se pode equiparar a ação de grupos isolados e que agiam em nome da Carta Magna ao tentarem impedir a prevalência de um ataque ilegal às instituições com a ação de criminosos que violaram as regras da democracia e o próprio Estado Democrático de Direito.

Além disso, os métodos dos dois lados foram distintos. Não há relatos críveis e comprovados de torturas praticadas pela Resistência aos golpistas, enquanto que estes têm contra si provas infindáveis de crimes que cometeram, como o de estuprar uma filha ou um filho diante do seu pai, ou uma esposa diante do marido, ou como a prática de mutilações e outros métodos bestiais que os golpistas usavam para “extraírem informações”.

Houve, sim, ataques da Resistência ao regime de 1964 contra alvos dos usurpadores do Poder, mas tais ataques se inserem em uma tentativa de reação legalista, pois o uso da violência é aceitável se for para defender as instituições, as leis, o interesse e a vontade coletivos.

Ora, se Jango Goulart foi eleito em uma chapa legítima por um partido político legalizado de acordo com as regras eleitorais vigentes, só um plebiscito ou um processo jurídico-político previsto na Constituição poderia retirá-lo do poder. Combater quem usou a violência para subverter as leis, pois, era obrigação de todo brasileiro.

Não é por outra razão que o editorial do Estadão “Brincando com o fogo” me preocupou. É clara a ameaça de ruptura da ordem constitucional caso um governo investido de legitimidade para legislar sobre essa matéria da Comissão da Verdade sobre os crimes da ditadura desagrade as Forças Armadas subordinadas a esse governo.

A sociedade e suas instituições devem reagir contra essa chantagem golpista que visa impedir que a verdade seja contada, para que esses criminosos nunca mais ponham suas garras asquerosas no que não têm direito e para que nunca mais prendam ilegalmente, estuprem, torturem e matem ninguém.