"Dilma Roussef, eleita pelo nosso povo a primeira mulher Presidenta da História do Brasil."
sexta-feira, 25 de abril de 2008
Dilma é tratada como chefe de Estado no Japão
Yêda/PSDB = Mais uma que você não vai ver no PIG
quinta-feira, 24 de abril de 2008
O banquete da menina morta
O Caso Isabela
Blog Cidadania - Eduardo Guimarães
Voluntária ou involuntariamente, a mídia está dando uma nova prova de que está muito longe de ter perdido todo seu poder. A última, tinha dado no começo deste ano.
Dizem que os meios de comunicação estão mantendo acesa a catarse em torno do caso Isabella devido a interesses comerciais e econômicos, pois o veículo que não explorar cada detalhe sórdido do caso perderá público.
Pode ser, pode não ser... De uma coisa, porém, tenho certeza: esta é a segunda vez neste ano em que a mídia demonstra a capacidade que tem de levar as massas ao paroxismo da comoção.
Da primeira vez, o ano mal havia começado. A mídia, então, conseguiu fazer os mais suscetíveis agirem como loucos. Daquela vez, porém, além da intenção política de causar embaraços ao governo federal, meios de comunicação, deliberadamente, tentaram mostrar o poder que ainda tinham de pôr gente exaltada na rua.
E mostraram. Jornais, tevês, rádios, portais de internet inventaram que havia uma epidemia de febre amarela no país e, com isso, fizeram gente que não precisava se vacinar contra a doença acorrer desesperada aos postos de saúde para se vacinar, fazendo com que os estoques do medicamento se esgotassem rapidamente e causando um grave problema à Saúde Pública ao encher postos de saúde e de vacinação de gente sadia querendo se proteger contra o que não a ameaçava.
Milhões de pessoas, sem refletir um só instante, agiram como autômatos diante da insinuação de epidemia. Por conta disso, em pouco tempo havia mais pessoas doentes por tomar a vacina sem prescrição médica e necessidade concreta de tomá-la do que pela própria febre amarela. E ao menos uma pessoa morreu por causa disso.
No caso Isabella, não há viés político. Por mais que os "formadores de opinião" se achem espertos, não conseguiram achar uma forma de vincular o governo Lula ao casal Alexandre Nardoni e Anna Jatobá, supostos assassinos da menina. Contudo, conseguiram uma proeza muito maior, ainda que sem potencial político.
Despertar a irracionalidade das massas no caso da febre amarela ainda encerrava uma certa lógica, pois aqueles que se puseram em filas intermináveis para se contaminar com um vírus atenuado desnecessariamente achavam que estavam cuidando da própria saúde ao fazê-lo. No caso Isabella, pessoas de várias partes do país virem para diante das casas dos suspeitos e das famílias dos suspeitos da morte da garota para tentarem agredir a todos, aí já não dá para enxergar um só resquício de lucidez numa atitude dessas.
Quem mantém acesa essa comoção é a mídia com suas manchetes espalhafatosas. No entanto, consegue a proeza de, ao mesmo tempo em que gera comoção, criticar os que agem sob seus efeitos sem que algum deles se pergunte por que são criticados se só estão respondendo ao noticiário.
Na imprensa escrita, por exemplo, ao mesmo tempo em que se vê a foto do casal Nardoni sobre a frase "Foram eles", pode-se ler indignados colunistas bradando contra a insanidade da turba. Nas tevês, ao mesmo tempo em que se pede cautela à população, são dadas a ela carradas de "razões" para não ter cautela nenhuma.
Quando se compara a capacidade da mídia de provocar reações irracionais nas massas com sua absoluta incapacidade de direcionar a vontade política dessas mesmas massas, surge um dilema: por que tanto sucesso numa coisa e fracasso tão retumbante na outra?
Com a palavra, os leitores
quarta-feira, 23 de abril de 2008
SABATINA FOLHA / CIRO GOMES
"Agradeço a Deus por não ter sido eleito em 2002"
NA VICE-LIDERANÇA da mais recente pesquisa Datafolha de intenção de voto para a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva, o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), 50, agradeceu a Deus ontem, em sabatina da Folha transmitida ao vivo na internet pela TV UOL, por não ter sido eleito para o Planalto em 2002, quando concorreu ao cargo pela segunda vez."Eu não estava maduro", justificou ele, diante de quase 180 pessoas que acompanharam a entrevista de duas horas feita pelos jornalistas Mônica Bergamo (colunista do jornal), Fernando Canzian e Kennedy Alencar (repórteres especiais) e Fernando de Barros e Silva (editor de Brasil).Ciro também respondeu perguntas da platéia sobre seus planos até 2010 e a relação com a mulher, a atriz Patrícia Pillar. E alfinetou um antigo desafeto, o governador paulista, José Serra, líder na pesquisa.CIRO EM QUATRO TEMPOS[Estou mais maduro] à força. Cada vez mais careca, cada vez mais velho [risos]. Sou exageradamente transparente. Já passei do limite muitas vezes, ao dizer coisas que não precisava dizer. Errar mesmo, por vaidade, arrogância. Mas você vai aprendendoHá uma exigência da sociedade nessa matéria, a ética. Anos atrás, na hierarquia das preocupações estava o desemprego, a inflação etc. A sociedade coloca outros níveis de exigência, e isso é muito bomVocê acha mesmo que eu tenho desapreço pela imprensa como gênero? Não tenho. Agora, às vezes, com a responsabilidade que eu tenho, devo dizer que uma imprensa monolítica, partidária e conservadora faz mal ao paísEu conheço a ministra Dilma. Sei da sua seriedade, da sua compostura, da sua ética, do seu talento e sei que está dedicada 24 horas por dia a servir ao país da melhor forma possível. Dizer que foi a Dilma porque ela está em cima da Casa Civil é calunioso2010"Quem tem a experiência que eu já acumulei, há de ter a maturidade de saber que qualquer vatícinio feito hoje para afirmar fatos de 2010 é bastante temerário. Fico bastante distinguido, honrado. Mas eu só decidirei se sou candidato se entender que a candidatura serve ao país. Essas foram as razões pelas quais eu me candidatei nas eleições anteriores. Eu não serei candidato de mim mesmo, não faz sentido isso.A situação de 2010, vendo hoje, acho que o que vai estar em jogo é, de um lado, a institucionalização do avanço extraordinário que o país está experimentando. A grande tarefa é ajuizar diante da nação brasileira a tarefa de institucionalizar isso, fazer com que isso não dependa de boa-fé de canetada de fulano, de voluntarismo, de boa vontade, de personalismo.Suponha que o PT tenha um candidato, é legítimo, o PT é o maior partido do Brasil, tem absoluta raiz na vida social brasileira. Mas, eventualmente, o PT pode lançar um candidato que não represente, a juízo do meu partido, de outras forças da opinião brasileira, essas graves questões que estão em jogo. Eventualmente, pode esse mesmo grupo de opinião pensar que eu posso melhor interpretar isso. Nesse caso, eu poderei ser candidato."VICE DE AÉCIO"Pode ser que o país precise que eu seja coadjuvante de uma chapa que, necessariamente, tem que ser encabeçada por alguém que vai servir ao país melhor que ninguém mais. Nenhum problema. Agora, eu solicito que se registre aqui que não estou dizendo que admito ser vice do Aécio. Admito examinar o assunto na ocasião própria. O que posso dizer é que o governador Aécio Neves é um belo produto da democracia brasileira. Falta a ele alguma vivência nacional, nada que ele não possa adquirir."2002"Foram tantos erros, foi que nem o Roberto Carlos. Eu passei por um processo... Eu estou de boa-fé, eu quero ser um cara decente, correto. Eu me aventuro muito, falo muito, não estou aqui? Quantos amigos não me disseram: "Você vai fazer o que lá?". Não tenho arrependimentos. Olhando no geral, a vida foi muito generosa comigo, mas eu digo hoje, honestamente, eu agradeço a Deus não ter sido eleito naquela ocasião. Eu não estava maduro, não estava preparado, imagine eu, eleito presidente do Brasil, contra o PT e o PSDB, e com um apoio meio inorgânico com povão. Foi muito bom, o povo disse: vai andar um pouco mais, vai aprender um pouco mais. Aliás, tive uma conversa só eu o Lula e foi comovente, ele disse: "Eu sei o que você está dizendo, também agradeço a Deus não ter sido eleito em 1989"."DESTEMPERO"Qualquer destempero é uma atitude que não cabe a alguém que vai servir ao país como presidente da República. É preciso que alguém julgue o destempero. Uma criança bem-educada pode falar a palavra cocô, dependendo do contexto. É evidente que eu poderia ter evitado [a discussão com a atriz Letícia Sabatella no Congresso por conta da transposição do rio São Francisco, na qual disse "eu, ao meu jeito, escolhi a opção de meter a mão na massa, às vezes suja de cocô, às vezes, mas minha cabeça, não, meu compromisso, não"], mas passamos mais de sete horas debatendo. Não houve bate-boca. Eu fiz uma figura. Poderia ter dito que Max Weber fala sobre a ética na política e identifica que ela é diferente da ética individual e familiar."COLLOR E O PT"Eu fico aborrecido porque o pacote é assim: pegam o jeitão do cara e insinuam que ele é desonesto, no meio de uma sociedade cansada de ver exemplos ruins. Quando eu era mais jovem, tinha muito medo. Fiquei contra ele no primeiro e no segundo turno em 1989. Jamais apoiei ele. Apoiamos o Mario Covas [1930-2001] no primeiro turno, e no segundo eu votei no Lula, isso o PT decidindo se aceitava o meu apoio ou não."GOVERNO LULA"Tenho uma grande afeição pelo Lula, um grande respeito, que é antigo, mas que cresceu muito na constância de minha militância sob sua liderança no governo. Não quer dizer que o governo é impecável nem perfeito. Agora, todos os números brasileiros estão melhores."GOLPE CONTRA LULA"Eu lembro bem quando se instalou, na minha opinião, um golpe contra o Lula, para arrastar o filho dele para uma CPI. Eu tomei a linha de frente. Isso quer dizer o quê? Que eu perdôo o que aconteceu? Absolutamente não perdôo. Mas não era causa para impedir um presidente da República, e, impedindo um presidente com uma origem popular como a do Lula, passar para a sociedade brasileira que havia uma trama de elite para melar o jogo de quem estava fazendo o salário mínimo galopar, de quem estava fazendo o Bolsa Família... Quando foi eleito o Severino [Cavalcanti, ex-presidente da Câmara dos Deputados], aquilo era um passo do golpe, para ele poder receber o pedido de impeachment. O antigolpe que acabou com tudo foi a eleição do Aldo [Rebelo, do PC do B], que acabou com o golpe. Ele foi eleito para derrotar o Lula e começar a instalar o golpe, acabou não recebendo porque aderiu."MENSALÃO"Por tudo quanto eu pude observar, o presidente Lula não sabia e tinha o direito de não saber. O problema se deu na conformação de uma parte da antiga direção do PT no financiamento de campanha."JOSÉ SERRA"Ele era [em 1994], sem favor [meu], o deputado de maior valor na bancada do PSDB. E a bancada inteira não votava nele para líder. Isso é bem exemplar. Conseguimos fazer do Serra líder da bancada na marra. Pelo valor. Não demorou, ele tira o tapete do Fernando Henrique Cardoso, que, para fazer o real, precisava que o Brasil restaurasse seu fluxo de crédito internacional.O Serra, sem conversar com ninguém, na condição de líder do partido do ministro da Fazenda, dá a seguinte entrevista, que o PSDB é contra a revisão constitucional. Aí me liga o então ministro da Fazenda, Fernando Henrique, do hotel em Nova York, dizendo: "Estou aqui trancado, não posso botar a cara na rua, porque esse aquilo, esse aquilo outro, quer tirar o meu tapete, quer sabotar o plano e só tem um cara que vai dar jeito nisso: você". Ele [Serra] desdisse [sob pressão de Ciro]. Mas nunca me perdoou. É um homem de valor, com aquelas questões outras."ALIANÇAS"Na eleição municipal, o principal motor é a questão local. Não tem quem faça uma eleição municipal se conformar às diretrizes das questões nacionais. A gente tenta atenuar, mas a contradição é absoluta. O governador Aécio quer evitar um confronto precoce com o PT, onde pode sair derrotado. E isso interrompe um caminho de ascensão que ele vem cultivando. O Pimentel [Fernando, prefeito petista de Belo Horizonte], por seu lado, é um quadro emergente na política de Minas e ele não quer confrontar com o Aécio e ser derrotado precocemente.Aqui em São Paulo nós temos a companheira Luiza Erundina que é um dos quadros pelos quais eu tenho o maior respeito. E temos um talento extraordinário que é o líder da nossa bancada, o deputado Márcio França. Eu já disse a ele que, aqui em São Paulo, o que ele e os companheiros do nosso grupo fizerem eu apóio."
Para Ciro, irmão precisa explicar por que levou sogra em viagem
VIAGEM DO IRMÃO"O governador do Ceará deve se explicar, convocar a imprensa e explicar [Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro, levou sua sogra a uma viagem oficial de dez dias à Europa, que custou R$ 388 mil apenas com aluguel de jatinho]. Conheço a sua boa-fé, a sua decência, e ele deve explicação. E eu peço a vocês permissão, pelo fato de ser irmão dele, de não comentar o assunto, porque não me é agradável."PATRÍCIA PILLAR"O tempo da gente é a gente quem faz. Eu e minha mulher, em nome do nosso amor, a gente suporta uma vida meio maluca. Eu moro na casa de minha mãe, em Sobral (CE), sendo nascido em Pindamonhangaba, dois filhos meus moram em São Paulo, meu trabalho me obriga a fazer base em Brasília, minha mulher, no Rio. O amor segura, apaga tudo. Gosto muito de cinema, como de música, de teatro. Novela, aqui para nós, só as da minha mulher."ÉTICA"Todas as pessoas de vida pública têm que ser decentes, e isso não é vantagem nenhuma. Eu era ministro, mandaram para mim o cartão corporativo. Perguntei como funcionava. "Bota o cartão no bolso e paga as despesas necessárias." Devolvi. No Brasil, ética virou uma coisa aeticamente manipulada."DOSSIÊ"Um lado da política diz que ministros ou autoridades do governo Lula usaram mal o cartão corporativo e outro lado diz que quem usou mesmo mal foi o governo Fernando Henrique.A Casa Civil, que é senhora dessas informações, tem mais que o direito, o dever de se assenhorear de tudo. É dever funcional, na medida em que estão instaladas CPIs.Descobri que os computadores são abertos a 20, 30, 40 pessoas. Qualquer uma é capaz de ter feito [o dossiê]. Na minha opinião, naquilo que diz respeito à ministra Dilma, não houve extrapolação. Agora, alguém vazou. E isso é crime."IMPRENSA"Não há vida possível para um democrata sem imprensa. Quanto mais agressiva, independente e plural, melhor. O sentimento de defesa da imprensa é minha vida. Agora, exageros, deformações, novelização do escândalo, têm sido, involuntariamente, um mal.Eu acho que, nessa área, a menor intervenção do Estado é a melhor atitude. Controle remoto é uma das invenções mais democráticas. E ter paciência. Porque algum formador de opinião, militante da vida pública, vai dizer para as pessoas: "Presta atenção, monopólio de informação é um perigo".Mas acho que intervenção seria muito perigosa. Tivemos recentemente um exemplo da Venezuela que não me agrada."JUROS"Juro alto é ruim. O [presidente do Banco Central, Henrique] Meirelles sabe disso e afirma isso. O Lula sabe disso e afirma isso. Esse grande brasileiro, o vice-presidente, José Alencar, afirma isso com eloqüência comovente. Nós estamos discutindo, e isso é um avanço. A despeito de ser um juro alto, é o menor juro real dos últimos 23 anos."VIOLÊNCIA"O que gera a violência é a justaposição da miséria com a opulência e a excitação da aspiração de felicidade referida a consumo. Estou inclusive escrevendo sobre isso."RIO DE JANEIRO"Apóio a política de segurança pública do governador Sérgio Cabral. Mas apóio convicto de que nela não faz parte matar pessoas inocentes, bandido indefeso, nem usar a violência pela violência. Apóio porque o Rio tinha uma tradição grave, explícita ou implícita, de compadrio entre o dispositivo policial e o bandido organizado. A troca era basicamente trafica droga, mas não seqüestra, não assalta banco. O Sérgio Cabral desfez esse pacto."SÃO PAULO"A importância de São Paulo é tão grave para o Brasil. Ai do Brasil se não fosse São Paulo."
PINGA-FOGO
ABORTO
Um tragédia humana, moral, de saúde pública. Um assunto da mulher em que o Estado não deveria se intrometer
CÉLULAS-TRONCO
Absolutamente a favor
PENA DE MORTE
Sou contra
DROGAS
Contra a legalização
SEXO ANTES DO CASAMENTO
Uma decisão dos rapazes e das moças
RESTRIÇÃO À PROPAGANDA DE BEBIDAS
Não pensei sobre isso ainda, talvez alguma
COTAS PARA NEGROS
Acho um avanço
EXISTÊNCIA DE DEUS
Acredito, claro
UNIÃO CIVIL DE HOMOSSEXUAISS
ou a favorGEORGE W. BUSHPresidente dos EUA.
Sem comentário
GUERRA DO IRAQUE
Demonstração da bestialidade que ainda resta no homem
CIÚME
Uma fraqueza humana
PATRÍCIA PILLAR
Meu amor

Recentemente, divulguei dados que mostraram como a segurança pública no Estado de São Paulo mergulhou num poço sem fundo depois que o PSDB assumiu o governo paulista e nunca mais largou o osso. Dados da Secretaria da Segurança Pública mostram que, entre 1995 (primeiro ano de um governo tucano em São Paulo) e 2007, os crimes contra a pessoa (assassinatos e lesões corporais), entre outros, aumentaram 66%, o que condiz perfeitamente com a espantoso cerco de criminosos que ocorreu em 2006, quando o PCC acuou as cidades paulistas e até o governo do Estado, gerando um clima de pânico e desespero entre os paulistas.
Também falei da Educação pública em São Paulo, que hoje está entre as piores do país, apesar de o governo paulista ser o que tem maiores recursos na Federação brasileira.
Expliquei que o estado calamitoso em que o Estado mais rico e desenvolvido da Federação brasileira mergulhou se deve ao fato de que a imprensa paulista, à diferença do que faz em relação ao governo federal, não fiscaliza ou pressiona o governo de São Paulo. Relutantemente, quando não existe alternativa de esconder as catástrofes geradas pela que talvez seja a pior governança de um Estado brasileiro, a imprensa de meu Estado se vê obrigada a noticiar os desatinos do PSDB. Porém, em questão de dias esses escândalos tucanos são abandonados e, dali em diante, passa a viger o mais deslavado acobertamento.
De qualquer forma, apesar da blindagem dos jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e revista Veja aos tucanos, veículos tão rigorosos com o governo federal, cumpre-me continuar relembrando os escândalos enterrados. Apesar da amnésia renitente da população paulista, enquanto um segmento da sociedade permanecer consciente do descalabro administrativo tucano sempre haverá chance de chamar à razão essa população.
Aliás, a incompetência e a corrupção dos governos tucanos que vêm se sucedendo em São Paulo não decorrem de nenhum fator residente no "DNA" do PSDB e, sim, na situação peculiar de esse grupo político ser acobertado pela imprensa com a qual estabeleceu algum tipo de acordo. Sobre esse presumível acordo, aliás, devido ao fato de que os veículos que acobertam os tucanos serem verdadeiros impérios, imagina-se que só poderiam ser subornados com grandes somas que, pelo volume, só podem ser de dinheiro público.
Um bom indício de que dinheiro público é usado para calar a imprensa paulista está no escândalo da Nossa Caixa, que eclodiu em março de 2006. Descobriu-se que o governo de Geraldo Alckmin anunciava ilegalmente em meios de comunicação inexpressivos, alguns pertencentes a verdadeiros cabos eleitorais do PSDB, como era o caso da revista Primeira Leitura, fundada pelo tucano Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro de FHC, e, então, gerida pelo hoje blogueiro da Veja Reinaldo Azevedo, que passou a prestar ao PSDB serviços de pistolagem intelectual.
Tão dramático quanto, é o desastre na linha 4 do metrô paulista. Em janeiro de 2007, desabou obra de uma das estações entregue pelo PSDB ao Consórcio de empreiteiras Via Amarela. Esse desastre matou sete pessoas e desalojou centenas de suas casas e apartamentos. Uma rua inteira ruiu. Até hoje, cerca de um ano e meio depois, não se sabe absolutamente nada sobre o caso. A imprensa não pressiona as autoridades paulistas e o desastre ficou por isso mesmo. As vítimas, inclusive, não conseguem voz na imprensa de São Paulo para cobrarem o governo do Estado.
Mas o maior escândalo de todos, solenemente enterrado pela imprensa, está no caso dos cartões corporativos do governo paulista. Enquanto a mídia bate sem parar na tecla dos cartões do governo do Estado, acompanhando com enorme afinco as CPIs com finalidade político-eleitoral criadas na Câmara e no Senado, o fato de que os gastos do governo do Estado de São Paulo com esses cartões superam os do governo federal, simplesmente sumiu da imprensa. A bancada governista na Assembléia Legislativa paulista impediu investigação e Folha, Estadão e Veja, veículos paulistas, não dizem um A.
Com essa impunidade eterna dos malfeitos do governo de São Paulo, possibilitada pela imprensa paulista, vige em meu Estado uma situação de calamidade, em que o governo faz o que quer sem qualquer fiscalização ou cobrança. Por isso, São Paulo só faz piorar. Por isso, São Paulo, apesar de ser tão rico e desenvolvido, não melhora. Por isso, o povo paulista é tão ignorante politicamente, porque tem uma imprensa corrupta que o mantém alienado.
terça-feira, 22 de abril de 2008
SERRA, O PROFETA DO CAOS
Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 1079
Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PIG, Partido da Imprensa Golpista.
. Uma das características do presidente eleito José Serra é profetizar o caos.
. E oferecer-se para endireitar o Brasil.
. Em 2002, ele dizia – sempre à boca pequena, para aquele seleto grupo de jornalistas que o chamam de “Serra” e não publicam o que ele diz – que o Brasil de Fernando Henrique estava à beira de um colapso econômico e que só ele, Serra, poderia salvá-lo.
. Enquanto disputava o direito de impedir a re-eleição de Lula, Serra dizia à mesma platéia que a política econômica de Lula ia levar o Brasil ao caos.
. E só ele, Serra, poderia salvá-lo.
. Depois, Serra – sempre, intra-muros, para aqueles jornalistas que o chamam de “Serra” – revelou que o caos se devia à valorização do Real.
. E que o Governo tinha que intervir no câmbio.
. E só um presidente com a estatura moral e política dele – sem falar nas credenciais de renomado economista, que, jamais, publicou um livro – poderia intervir no câmbio, sem provocar uma fuga de capitais.
. Agora, Serra prega o caos, de novo.
. Segundo Kennedy Alencar, na Folha Online, Serra tem dito em voz muito baixa, àqueles mesmos interlocutores, que, depois do Governo Lula, só alguém como ele – e só ele – pode curar o Brasil do mal maior: a ditadura dos juros altos do Banco Central.
. Clique aqui para ler o caos que Serra desenha agora.
. O importante não é o diagnostico, mas a cura.
. O mal pode ser o câmbio alto ou os juros altos.
. Qualquer coisa.
. O importante é o interlocutor – esses jornalistas que chamam ele de “Serra” – acreditar que ele é o Salvador da Pátria.
. Vamos supor que Aécio Neves, Ciro Gomes ou Dilma Rousseff pregasse a intervenção do Governo no câmbio ou o fim da independência do Banco Central.
. Quantos editoriais o PiG já teria escrito ?
. Quantas crises o PiG teria montado em cima disso ?
. O que teriam dito os “analistas” do PiG (*) ?
. O que teria dito a Miriam Leitão ?
. Um absurdo !
. Isso é uma vergonha !
. Um retrocesso !
. Mas, o Serra, já eleito em 2010 pela Folha, em notícias acima da dobra com as pesquisas do Datafolha, pode tudo.
. Ou o que ele pensa não tem a menor importância.
. Porque jamais será Presidente.
. E o Conversa Afiada tem certeza de que o Vesgo do Pânico tem mais chance que o Serra, em 2010.
. Ou o Serra pode tudo: como o candidato mais forte da corrente das trevas, não importa o que ele pense.
. Desde que se eleja.
. Enquanto se preocupa com os juros altos do Banco Central, o presidente eleito negligencia a administração do Estado.
. O que Serra fez até agora ?
. Nada.
. Sobre o engarrafamento, por exemplo, a materialização da inépcia tucana, que Governa São Paulo há 13 anos.
. A Folha publicou reportagem sobre a tragédia de andar de metrô, em São Paulo: é mais lotado que o de Tóquio – e pior.. Na hora do pico, a viagem se torna uma desgraça ainda maior (clique aqui para ler).
. Sobre isso, o presidente eleito não tem o que dizer.
. Nem aos jornalistas que chamam ele de “Serra”.
(*) Sobre “analistas”, recomenda-se ler reportagem espetacular do New York Times sobre os especialistas/analistas/comentadores da televisão americana que tratam da Guerra do Iraque. Aqueles generais reformados que aparecem na CNN para “analisar” a Guerra. São todos uma extensão da máquina de propaganda do Pentágono ou das indústrias que fornecem equipamentos e armas ao Pentágono. Gente finíssima. Como os nossos “especialistas” que dizem à Miriam leitão o que ela quer ouvir. Especialmente na área de petróleo ...
Clique aqui para ler
