quinta-feira, 14 de junho de 2012

Vídeo: Agnelo do PT nocauteia tucano Perillo na CPI do Cachoeira



Dia 12: Perillo (PSDB) disse não (abrir seu sigilo bancário).
Dia 13: Agnelo (PT) disse sim.

PSDB mentiu: CPI não tem sigilo já quebrado em 2011 pelo STJ.

Depois do constrangimento, os tucanos tentaram desqualificar a atitude de Agnelo dizendo que o STJ já havia quebrado seu sigilo em 18/11 e, portanto, não haveria vantagem nenhuma, pois já estaria disponível.

É mentira.

O processo no STJ é sobre as denúncias a respeito do Ministério do Esporte, feitas na "reporcagem" da revista Veja pelo PM João Dias, que o PGR Roberto Gurgel, sob influência e pressão da Veja, resolveu investigar Orlando Silva e Agnelo. Se os sigilos foram quebrados neste processo, não é transferível para esta CPI, uma vez que a CPI investiga outra coisa.

O ato de Agnelo abrir seu sigilo foi verdadeiro, e a CPI não tem à disposição esses dados, a menos que ele autorize como fez ou a própria CPI faça através de votação de requerimento.

Resposta às agressões de Veja e Jabor

Por José Dirceu, em seu blog:

A bem da verdade, e para esclarecimento público, volto a falar aqui no blog sobre a reportagem com o título “Onde foi Parar o Dinheiro?”, publicada pela Veja desta semana sobre a administração da Prefeitura de Maricá (RJ).


A matéria me aponta como responsável pela nomeação de dois secretários municipais na cidade, o de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Petróleo, Marcelo Sereno, e a de Administração, Maria Helena Alves Oliveira.

Faço-o, hoje, com nota divulgada pela Prefeitura de Maricá, que assegura:

"A reportagem (de Veja) insiste em uma tese conspiratória, que mistura personagens nacionais (com locais), mas isso está errado. O ex-ministro José Dirceu não tem ou teve influência na administração municipal e sequer conhece a cidade. A secretária executiva, Maria Helena Alves Oliveira, não tem relação com o ex-ministro e seu nome consta em quase todos os contratos (municipais) por ser a autoridade de gestão e controle. O ex-secretário de Desenvolvimento Econômico Marcelo Sereno atuou na preparação da cidade como atrativo de grandes investimentos e não há nada que desabone sua atuação na prefeitura."

Aproveito, ainda, para responder ao comentarista Arnaldo Jabor que afirmou ontem na Rádio CBN;

"Segundo a revista Veja neste reduto (Maricá) da administração do PT a influência maior vem do sempre fatal José Dirceu. Na cidade todos sabem que os que participam da administração são apaniguados do ex-chefe da Casa Civil, como seu ex-assessor Marcelo Sereno, que foi deslocado para também extrair os lucros do pré-sal e Maria Helena Alves Oliveira, que teria sido nomeada secretária de Administração pelo mesmo chefe político Dirceu, que deve ser julgado em breve no processo do mensalão no STF."

As matérias de Veja e do comentarista da CBN, Arnaldo Jabor, são agressões gratuitas contra mim. As denúncias e acusações dos dois nada têm a ver comigo. Nunca fui a Maricá, e como bem diz a nota de sua Prefeitura, não participo da vida política do município e não tenho nenhuma relação com sua administração.

Os três equívocos da mídia

Por Marcos Coimbra, na CartaCapital:

A cobertura de nossa “grande imprensa” da atualidade política gira em torno de três equívocos. Por isso, mais confunde que esclarece. Os três decorrem da implicância com que olha o governo Dilma Rousseff, o PT e seus dirigentes. A mesma que tinha em relação a Lula quando era presidente.


Há, nessa mídia, quem ache bonito – e até heroico – ser contra o governo. E quem o hostilize apenas por simpatizar com outros partidos. Imagina-se em uma espécie de cruzada para combater o “lulopetismo”, o inimigo que inventaram. Alguns até sinceramente acreditam que têm a missão de erradicá-lo.

Não é estranho que exista em jornais, revistas, emissoras de televisão e rádio, e nos portais de internet, quem pense assim, pois o mundo está cheio deles. E seria improvável que os empresários que os controlam fossem procurar funcionários entre quem discorda de suas ideias.

Até aí, nada demais. Jornalismo ideológico continua a ser jornalismo. Desde que bem-feito e enquanto preserve a capacidade de compreender o que acontece e informar o público. O problema da “grande imprensa” é que suas antipatias costumam levá-la a equívocos. Como os três de agora. Vejamos:

O desespero de Lula

Pode haver suposição mais sem sentido do que a de que Lula esteja “desesperado” com o julgamento do mensalão?

Ele venceu as três últimas eleições presidenciais, tendo tido na última uma vitória extraordinária. Só ele se proporia um desafio do tamanho de eleger Dilma Rousseff.
Hoje, em qualquer pesquisa sobre a eleição de 2014, atinge mais de 70% das intenções de voto, independentemente dos adversários.

Seu governo é considerado o melhor que o Brasil já teve por quase três quartos do eleitorado, em todos os quesitos: economia, atuação social, política externa, ecologia etc. (sem excluir o combate à corrupção).

O mensalão já aconteceu e foi antes que galvanizasse a imagem que possui. Lula tem, portanto, esse conceito depois de passar pelo escândalo. O ex-presidente não tem nenhuma razão para se importar pessoalmente com o julgamento do mensalão. Muito menos para estar “desesperado”.

O que ele parece estar é preocupado com alguns companheiros, pois sabe que existe o risco de que sejam punidos, especialmente se o Supremo Tribunal Federal for pressionado a condená-los. Solidarizar-se com eles – e fazer o possível para evitar injustiças – não revela qualquer “desespero”.

A batalha paulista
Não haverá um “enfrentamento decisivo” na eleição para prefeito de São Paulo. Nada vai mudar, a não ser a gestão local, se José Serra, ou Fernando Haddad, ou Gabriel Chalita sair vitorioso.

Como a “grande imprensa” está convencida de que Serra vai ganhar – o que pode ser tudo, menos certo –, a eleição está sendo transformada em um “teste” para Lula, o PT e o governo Dilma. Ou seja, quem “nacionaliza” a disputa é a mídia. Apenas porque acha que Haddad vai perder. Se Serra vencer, o PSDB não aumenta as chances de derrotar Dilma (ou Lula) em 2014. Caso contrário, terá sua merecida aposentadoria.

O melhor que os tucanos podem tirar da eleição paulista é a confirmação da candidatura de Aécio Neves. Quanto ao PT e ao PMDB, vencendo ou perdendo, saem renovados. No médio e no longo prazo, ganham. Por enquanto, a mídia está feliz. Cada pesquisa em que Haddad se sai mal é motivo de júbilo, às vezes escancarado. Quando subir, veremos o que vai dizer.

É a economia, estúpido!

Sempre que pode, essa mídia repete reverentemente a trivialidade que consagrou James Carville, o marqueteiro que cuidou da campanha à reeleição de Bill Clinton.

Lá, naquele momento, foi uma frase boa. Aqui, não passa de um mantra usado para desmerecer o apoio popular que Lula teve e Dilma tem. Com ela, pretende-se dizer que “a economia é tudo”. Que, em outras palavras, a população, especialmente os pobres, pensa com o bolso. Que gosta de Lula e Dilma por estar de barriga cheia.

Com base nesse equívoco, torce para que a “crise internacional” ponha tudo a perder. Mas se engana. É só porque não compreende o País que acha que a economia é a origem, única ou mais importante, da popularidade dos governos petistas.

Nos últimos meses, a avaliação de Dilma tem subido, apesar de aumentarem as preocupações com a inflação, o emprego e o consumo. E nada indica que cairá se atravessarmos dificuldades no futuro próximo.

Lula não está desesperado com o julgamento do mensalão. Se Serra for prefeito de São Paulo, nada vai mudar na eleição de 2014. As pessoas gostam de Dilma por muitas e variadas razões, o que permite imaginar que continuarão a admirá-la mesmo se tiverem de adiar a compra de uma televisão. Pode ser chato para quem não simpatiza com o PT, mas é assim que as coisas são.

Agnelo na CPI: derrota da oposição

Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:

Já perto do fim da sessão desta quarta-feira, Cássio Cunha Lima, senador pelo PSDB, admitiu que o governador Agnelo Queiroz conseguiu provar sua inocência em relação ao esquema Cachoeira. Aproveitou, contudo, numa jogada esperta, ou supostamente esperta, para inocentar igualmente Marconi Perillo. Lembrou um advogado que tentasse inocentar Fernandinho Beira-Mar dizendo que não há provas contra Bin Laden. Ou seja, uma coisa não tem nada a ver com outra.


Marconi Perillo era um membro do clube Cachoeira. Era amigo pessoal do bandido (telefonou-lhe pessoalmente para lhe desejar feliz aniversário) e tinha com ele íntimas ligações financeiras (Cachoeira foi preso na casa que Perillo lhe vendeu).

Ficou provado que o esquema Cachoeira tentou derrubar Agnelo. Há gravações que mostram o próprio Cachoeira xingando o governador por não conseguir arrancar o que queria de sua administração, ameaçando botar o “gordinho” (apelido de Demóstenes Torres) e a revista Época para prejudicá-lo. Dias depois Demóstenes subiu à tribuna para pedir o impeachment do governador do Distrito Federal. E a revista Época iniciou ataques sistemáticos contra Agnelo. Ou seja, mais uma vez observamos a mídia aliada ao crime organizado.

O fato é que o depoimento de Agnelo resultou numa estrondosa derrota da oposição. Alguns parlamentares falaram em “xeque-mate” de Agnelo, ao abrir a sessão oferecendo seus sigilos bancários, fiscal e telefônico. Parlamantares do PSDB, DEM e PPS não conseguiram sequer encontrar acusações consistentes contra o governador e começaram a levantar fatos totalmente desconectados do foco da CPI.

Os sigilos de Agnelo já tinham sido quebrados pela Justiça ao final do ano passado, num daqueles escândalos que, agora sabemos, tinham o dedo do esquema Cachoeira-Veja, mas somente os fiscais e bancários. Agnelo acrescentou agora seus sigilos telefônicos e de email.

Com isso, criou-se uma enorme onda nas redes sociais e na própria comissão para quebrar o sigilo de Marconi. O governador de Goiás, vendo o fato consumado, procurou-se adiantar-se e também ofereceu seus sigilos.

Estou muito curioso para ver como a imprensa repercutirá o dia de hoje. Certamente os colunistas continuarão desqualificando a CPI, mas todas acusações que se fazia contra ela já caíram por terra.

Falaram que havia interesse de blindar a Delta. Pois bem, o sigilo nacional da empresa foi quebrado, a Controladoria Geral da União declarou-a inidônea e todos seus contratos com o governo federal estão disponíveis na internet.

Falaram que havia acordo para blindar governadores: pois bem, ambos foram convocados pela CPI, prestaram esclarecimenots e seus sigilos serão quebrados e suas vidas devassadas.

A CPI engrenou de vez.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Cachoeira e a mansão de Perillo

Por Altamiro Borges
O tucano Marconi Perillo deve dançar miudinho no seu depoimento à CPMI do Cachoeira amanhã (12). Para complicar ainda mais a sua já delicada situação, o repórter Chico de Gois, do jornal O Globo, divulgou hoje novos trechos da escuta telefônica feita pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo. Eles indicam que o mafioso intermediou pessoalmente a venda da mansão do governador de Goiás.

Num dos grampos, Carlinhos Cachoeira ordena ao ex-vereador Wladimir Garcez, também do PSDB, que a grana da negociata seja entregue diretamente ao próprio Perillo, em plena sede do governo em Goiânia. “Vende esse trem hoje, hein. Pega o dinheiro logo, urgente... Fala: É pro governador. Vamos lá pagar ele logo no palácio”, afirma o mafioso.
As explicações que não convencem
Até agora o governador não conseguiu explicar como a sua mansão – onde Carlinhos Cachoeira foi preso pela Polícia Federal – foi vendida. As cifras da transação não batem: ele diz que vendeu por R$ 1,4 milhão. Nos grampos da PF, o mafioso fala em valores entre R$ 2,25 milhões e R$ 2,3 milhões. Também não está claro como o negócio foi fechado: com três cheques ou com dinheiro vivo.
“Perillo tem afirmado que a negociação se deu por intermédio de Garcez e que não recebeu dinheiro pela transação, mas três cheques, que foram depositados em sua conta. Os cheques foram assinados por um sobrinho de Cachoeira, mas o governador afirma que não sabia disso... Na semana passada, o professor Walter Paulo Santiago, que se intitula administrador da Mestra Participações, em nome da qual está a casa, disse que pagou pela imóvel em dinheiro vivo, em pacotinhos de notas de R$ 50 e R$ 100”, relata Chico Gois.
O desespero dos escorpiões 
Sem ter como explicar a sua estranha ligação com o mafioso Carlinhos Cachoeira, o governador tucano tem adotado a tática de que a melhor defesa é o ataque. Em entrevista à Folha, Perillo voltou a atacar o ex-presidente Lula. Tenta se passar como vítima de um complô, de “perseguição política”. Mas nem o PSDB bota mais fé no tucano, que vivia posando de paladino de ética.
A legenda está perdida, atordoada. Ela teme pelos efeitos das denúncias nas eleições de outubro, mas não tem como rifar o grão-tucano. No desespero, “preocupado com o impacto na imagem do partido, o PSDB recorreu à base do governo Dilma na tentativa de blindar o governador de Goiás amanhã em seu depoimento à CPI do Cachoeira”, especula Cátia Seabra, da mesma Folha.
O “pacto de não agressão” proposto pelos tucanos lembra a fábula do escorpião e do sapo. No meio da travessia, até por instinto de sobrevivência em pleno ano eleitoral, o escorpião vai cravar seu ferrão venenoso. Não dá mesmo para confiar nos tucanos e nas intrigas da mídia!

Onde há democracia no mundo?

Por Emir Sader, no sítio Carta Maior:

No auge da guerra fria, os EUA impunham intervenções militares onde consideravam que a “democracia” estava em perigo. Tinham primeiro que caracterizar o governo como ditatorial ou que haveria um risco de um golpe que liquidaria a democracia. No Brasil foi assim, como as manchetes da imprensa o comprovam.


Depois da guerra fria as coisas ficaram mais complexas para os EUA. Se consideram que o selo democrático é conquistado conforme os critérios liberais – eleições periódicas, pluralidade partidária, separação dos poderes, imprensa livre (“livre” quer dizer privada), em vários países surgiram e se consolidaram governos que obedecem a esses critérios, mas que desenvolvem políticas que contrariam os interesses norteamericanos.

Uma nova moda surgiu com a visão de Fareed Zakaria (ex-editor do Newswek, atualmente na Time) jornalista nascido na Índia, naturalizado norte-americano, com a ideia de que há governos que cumprem com os rituais do liberalismo, mas que não seriam democráticos, porque não incentivam o capitalismo, que seria o habitat natural da democracia. Entre esses governos estariam os da Venezuela, do Irä, da Bolivia, do Equador, entre outros.

Agora um outro politólogo norte-americano, William Dobson, publica um livro na busca dos “neoditadores” e a imprensa daqui, colonizada, reproduz imediatamente a lengalenga deles. Significativamente a preocupação “democrática” dele se volta justo para países cujos governos tem antagonismos com os EUA: Irä, Venezuela, Russia, China. Para ficar evidente que seu problema não é com o sistema politico ou a estrutura social – democráticos ou nao -, mas com as posições politicas e ideológicas desses governos.

Nem pensar em países como a Arábia Saudita, o Kuait, o Yemen, o Marrocos, o Afeganistao, o Iraque, Honduras, entre outros, que não têm nada de democráticos, nem pelos estreitos critérios liberais. Mas que são aliados incondicioonais dos EUA. Não é democrático quem é nacionalista, quem desenvolve políticas internas de caráter popular, quem não se subordina aos interesses dos EUA

Ministério Público multa Rede Globo

Por Antônio Mello, em seu blog:

Segundo o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, a Procuradoria do Trabalho da 1ª Região encontrou um cardápio com várias opções de irregularidades trabalhistas na Rede Globo do Rio de Janeiro: casos de funcionários com expediente de mais de 19 horas e desrespeito ao intervalo mínimo entre expedientes (11 horas) e não concessão do repouso semanal remunerado. “Foi constatado excesso de jornada e que este excesso é habitual, e não extraordinário”, explica a procuradora Carina Bicalho, do Núcleo de Combate às Fraudes Trabalhistas.


Acordo firmado entre a empresa e o Ministério Público (MP) no fim de 2011 trouxe como resultado que a Rede Globo vai ter que contratar 150 jornalistas e radialistas para suas redações, além de pagar uma multa de R$ 1 milhão de reais.

"Nos últimos cinco anos, esta foi a terceira vez que a emissora do Jardim Botânico teve constatadas irregularidades quanto a jornadas de trabalho. Com este acordo na Justiça, a Globo promove nos últimos meses a prática de novas escalas, garantindo folgas aos jornalistas e mais respeito aos intervalos interjornadas. Este ajuste de conduta chegou também no Infoglobo, que edita os impressos da família Marinho".

Em Nota, o Sindicato defende a importância do acordo e afirma que as irregularidades não se restringem à Rede Globo:

Ao conseguir que a TV Globo seja multada e obrigada a contratar 150 funcionários no prazo de um ano – até fevereiro do ano que vem – o Ministério Público põe o dedo numa ferida. Profissionais, não apenas da Globo, sofrem com as longas jornadas de trabalho, a falta de respeito às folgas semanais e aos intervalos de 11 horas entre uma jornada e outra. Sofrem sem que a população tome conhecimento.

Os trabalhadores que têm a missão de informar jamais são notícia quando o que está em pauta é o desrespeito às leis trabalhistas praticado pelas empresas de comunicação. Por motivos óbvios, os empresários não permitem que os seus próprios erros sejam noticiados. Esse tipo de censura é cláusula pétrea na lei interna das redações.

A multa de R$ 1 milhão aplicada à TV Globo é simbólica, mas serve de alerta a todas as empresas que agem da mesma forma. E a justificativa dos procuradores ao pedir a punição é contundente.

Os jornalistas, pressionados por um mercado de trabalho limitado, não devem sofrer calados. Com os devidos cuidados, precisam denunciar as irregularidades e se unir, através do Sindicato da categoria, na luta por melhores salários e condições de trabalho. Os veículos de comunicação, que fazem tantas denúncias de ilegalidades, têm a obrigação de cumprir a lei no que diz respeito ao seu público interno.


Procuradora critica pejotização

A procuradora Carina Bicalho afirma que a pejotização, que acontece na Rede Globo e em outras emissoras é artifício claro da precarização das relações do trabalho:

PJ é uma forma que o capital descobriu para trazer o trabalhador para o lado dele, dizendo que o empregado está ganhando com isso”, expõe a procuradora. No entendimento dela, quando essa prática ocorre com os altos salários, não há distribuição de riqueza, já que tanto a empresa quanto o profissional deixam de recolher impostos.

Íntegra da entrevista da procuradora, da Nota do sindicato e mais detalhes do processo você acessa aqui.

É bom que jornalistas e outros profissionais que são submetidos à pejotização pelas empresas saibam que a Justiça do Trabalho tem dado ganho de causa aos que entram com ação contra as empresas, como já publiquei aqui em Juiz do Tribunal Superior do Trabalho diz que TV Globo frauda contrato de trabalho de jornalista.

A jornalista Cláudia Cruz, que trabalhou como repórter e apresentadora (RJTV) na Globo do Rio, entrou com ação no Ministério do Trabalho solicitando que fosse reconhecido seu vínculo empregatício com a Rede Globo. No período em que trabalhou na emissora, Cláudia Cruz teria sido obrigada, segundo afirma, a “abrir uma empresa pela qual forneceria sua própria mão-de-obra”.

O TST deu ganho de causa à jornalista:

A 6ª Turma do TST (Tribunal Superior do Trabalho) obrigou a TV Globo a reconhecer vínculo de emprego com a jornalista Claudia Cordeiro Cruz, contratada como pessoa jurídica.

O ministro Horácio Senna Pires, relator do caso, concluiu que o esquema “se tratava de típica fraude ao contrato de trabalho, caracterizada pela imposição feita pela Globo para que a jornalista constituísse pessoa jurídica com o objetivo de burlar a relação de emprego”. [reportagem completa aqui]


Se a moda pega, a Globo se ferra, pois jornalistas, atores, diretores (pelo menos os medalhões) sofrem do mesmo mal de Cláudia Cruz: também são obrigados a abrir uma empresa para fornecer sua própria mão-de-obra.

“Nesse contexto, concluo que se tratava de típica fraude ao contrato de trabalho”, afirmou o relator do agravo de instrumento no TST, ministro Horácio Senna Pires.

Mídia: Regulamenta, Dilma!

Por Venício A. de Lima, na revista Teoria e Debate:

Regulamentar é o mesmo que regular, verbo de origem latina que significa estabelecer regras para; estabelecer ordem; acertar, ajustar. Um dos papéis fundamentais do Estado é exatamente “estabelecer regras” – políticas públicas – relativas aos diferentes setores de atividade existentes numa sociedade para servir ao interesse coletivo.


Nas últimas décadas, atores sociais poderosos conseguiram tornar preponderante, em todo o planeta, a perspectiva política que postula limites estritos ao papel regulador do Estado. É o chamado “Estado mínimo” do ideário neoliberal. Os resultados desastrosos dessa política tornaram-se evidentes, a partir de 2008, com a crise global dos mercados financeiros. E suas consequências seguem fazendo estragos enormes ao redor do mundo.

É interessante notar, todavia, que, mesmo numa época em que dominou a perspectiva neoliberal, uma atividade foi e continua sendo objeto da regulação do Estado: as comunicações, reunindo os antigos setores de telecomunicações e radiodifusão e o novo espaço das TICs, as tecnologias de informação e comunicação.

Não só em vizinhos nossos como a Argentina, a Bolívia, o Equador, a Venezuela e o Uruguai, mas também na Inglaterra ocorre intenso debate sobre regulação e autorregulação – exemplos eloquentes por si mesmos.

São muitas as razões que justificam o imperioso papel regulador do Estado nas comunicações. A mais evidente (certamente) é a revolução digital pela qual passa o setor, que dissolveu as fronteiras entre as telecomunicações (telefonia, transmissão de imagens e dados), a comunicação social (rádio, televisão) e as TICs. Esse tsunami tecnológico provoca enormes ressonâncias no conjunto da sociedade, desde a transformação radical dos modelos de negócio até a reinvenção da sociabilidade humana, que agora se espraia viroticamente pelas redes sociais.

Uma razão talvez menos evidente ao senso comum, todavia, é a centralidade cada vez maior das comunicações nas democracias contemporâneas. A universalização da liberdade de expressão adquire um caráter fundante para a construção da cidadania ativa e republicana.

No Brasil, mesmo atores historicamente resistentes a qualquer alteração no status quo do setor de comunicações dão sinais públicos de finalmente reconhecer que algum tipo de regulação do Estado torna-se inevitável e inadiável.

De fato.

Para ficar apenas nos exemplos mais eloquentes: a principal referência legal para a radiodifusão, o Código Brasileiro de Telecomunicações (Lei nº 4.117/1962) completa cinquenta anos (!) no próximo mês de agosto. A Lei Geral de Telecomunicações (nº 9.472/1997), apesar de relativamente recente, entre outras questões já nasceu defasada por separar telecomunicações e radiodifusão. E as normas e princípios da Constituição de 1988 – que, pela primeira vez, trouxe um capítulo específico sobre a Comunicação Social – em sua maioria não foram regulamentados, e portanto não são cumpridos. Pior ainda, o artigo 224 que institui o Conselho de Comunicação Social, apesar de regulamentado, vem sendo descumprido pelo Congresso Nacional desde dezembro de 2006.

Mas não se trata apenas de uma questão legal. Regulamentar as comunicações implica o Estado cumprir seu papel de garantir a universalização da liberdade de expressão, assegurar maior diversidade e pluralidade de vozes no debate público e possibilitar a construção cidadã de uma opinião pública republicana e democrática.

A realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação em dezembro de 2009, apesar de boicotada por parte dos empresários de comunicações, confirmou o tema da regulação na agenda pública. Nos últimos meses, apesar da omissão deliberada e da satanização liberista que a grande mídia ainda faz do tema, é inegável que existe uma crescente mobilização de partidos políticos e da sociedade civil organizada em torno da necessidade da regulação das comunicações.

Por tudo isso, pela consolidação de uma democracia republicana, e em nome da maioria esmagadora do apoio popular que seu mandato tem recebido: regulamenta, Dilma!

Quem quer pressionar o STF é a mídia

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:




Estou farto de tanta hipocrisia. Acabo de ler um comentário do jornalista Ricardo Noblat, em seu blog hospedado no portal de notícias das Organizações Globo, dizendo que José Dirceu quer “obrigar” o STF a decidir a seu favor. Para dizer isso, esse jornalista insulta pesadamente o ex-ministro processado por aquele tribunal e que está com a própria vida, seu futuro e sua honra em suas mãos.


Grande vantagem insultar Dirceu. Corajoso o Noblat, não? Muito corajoso ao detratar e injuriar dessa forma alguém que há sete anos é tratado como bandido pelos maiores impérios de comunicação da América Latina apesar de nunca ter surgido uma só prova material contra si.

Enquanto isso, o país assiste à mídia pressionar o STF, levantar ilações sobre supostas intenções de membros do tribunal, a ela reclamar do relator-revisor do processo, o ministro Ricardo Lewandowsky, dizendo que, por não aprontar o processo mais rápido neste ano eleitoral como essa mesma mídia quer, estaria ajudando os acusados pelo inquérito.

Ou seja: quando Dirceu ou até mesmo o ex-presidente Lula reclamam, é imoral, ilegal, suspeito ou claramente prova de culpa, mas, quando a mídia aliada à oposição acusa, aí é um serviço prestado ao país contra pessoas que ela já trata como condenadas, dando a entender que acha que o julgamento delas deveria ser mera formalidade, sumário, pois a culpa de todas já estaria provada.

O fato é que não é Dirceu que diz que o STF se deixa pressionar pela mídia, nem eu, mas um membro do STF, o mesmo Lewandowsky que, em 2007, espionado por uma jornalista da Folha de São Paulo enquanto almoçava em um restaurante, disse a um interlocutor desconhecido, ao celular, que a Suprema Corte de Justiça da República havia aceitado o inquérito do mensalão “com a faca no pescoço” colocada pela… MÍDIA!

Desta maneira, considero uma afronta, uma prova de cinismo indizível esse comentário não só de Noblat, mas de todos esses seus congêneres que estão a querer um tribunal de exceção para os acusados do inquérito do mensalão.

Noblat diz que seria ilegítimo que manifestantes saíssem às ruas para protestar contra essa pressão que o ministro do Supremo Ricardo Lewandowsky diz que a mídia consegue fazer sobre a Corte que integra, o que, por si só, constitui um absurdo institucional, uma aberração, um atentado à Democracia. Eu, porém, garanto a você, leitor, que é perfeitamente constitucional e, ainda mais, que seria perfeitamente justo.

É meu direito dizê-lo e a Constituição Federal me garante esse direito. O direito de reunião e de expressão será exercido, a menos que a mídia pregue que, como em uma ditadura, o Estado brasileiro prenda ou espanque ou torture ou mate quem disser o mesmo que o ministro Lewandovsky disse e que ao menos a Folha publicou – na primeira página.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Os três vícios da capa da Veja

Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:
Publico aqui, com autorização do autor, email que recebi do meu xará, Miguel Freitas, comentando as últimas peripécias da Veja.

Fala xará!


Uma pequena contribuição para você, uma rápida reflexão sobre essa última barriga da Veja…

Eu estava respondendo a uma amiga que comentou como o caso “Control C + Control Veja” era péssimo para a credibilidade da revista. E é mesmo! Só que o episódio é bem pior que apenas um “copy-paste”, é um escárnio completo que revela muito sobre como é praticado o jornalismo na Veja:

1) INCOMPETÊNCIA: Ainda que se dê o benefício da dúvida (apesar do histórico nada favorável da revista) de que o jornalista não sabia que o documento obtido furtivamente era, na realidade, um “clipping” de notícias publicadas em vários jornais, isso revela a incompetência do jornalista: ele não fez nem mesmo uma checagem básica sobre o conteúdo do documento. Nem mesmo o estilo jornalistico do texto teria levantado a mínima suspeita?

2) A ESCANDALIZAÇÃO DO NADA: Obviamente se os textos já eram públicos, jornalísticos e não haviam causado nenhum furor na época de sua publicação, por que a mera mudança de autoria os transformaria agora em bombásticos? Escandalosos? Conspiratórios? Capa da Veja? É claro que o texto não tinha nada de mais e Veja está mais uma vez colocando chifre na cabeça de cavalo, tentando criar uma notícia que não existe.

3) MANIPULAÇÃO: Você já percebeu que um trailer de filme sempre mostra as melhores partes de ação? E o de um filme de comédia mostra as partes mais engraçadas? Pois é, a matéria da Veja mostra apenas uns 3 ou 4 trechos de um documento que deve ser muito maior. A Veja escolheria justamente os trechos menos comprometedores pra mostrar? É claro que não. É uma mera conclusão lógica que se realmente houvesse algo comprometedor eles mostrariam na matéria, mas não: mostram apenas aqueles pequenos fragmentos de matérias e a partir daí induzem o leitor a pensar que ele estaria diante de “um plano de ataque” e um “manual para instrumentalizar a CPI”. É claro que as partes mais picantes devem estar em algum outro lugar…

É tudo muito ridículo? É sim.

Se você retirar os anúncios (maior parte da revista), as matérias plantadas pelo Cachoeira para derrubar os bandidos concorrentes (denúncia dos correios) ou favorecer a própria quadrilha (derrubar a diretoria do DNIT que estaria multando a Delta), as matérias inventadas (dólares de Cuba, dossiê de contas de autoridades no exterior…), as matérias estranhas de beleza (como a capa que dizia que um remédio de diabetes fazia as pessoas emagrecer – motivo de nota de repúdio da Anvisa) e as futilidades… O que sobra?

abraços,

Miguel Freitas


* PS: Ok, ok… Já sei o que sobra: o guia de restaurantes que eles publicam uma vez por ano!